Eu Plural

Causos & Coisas & Lousas

UM PAÍS QUE VIROU MOTE NUM PAPO DE TERRAÇO AGLOMERADO E MUITO NORMAL!

No Terraço, ainda, como não poderia deixar de estar, pois, afinal, se ali eu não estivesse não poderia estar  agora (sic), nessa manhã de terça-feira, contando para vocês, estavam o escriba, bem acompanhado, como sempre, pois, afinal, como Dorival Caymmi falou pra oxum, mesmo sem o Silas, tô em boa companhia,

gleinston e o escriba, em nosso país, vendo tudo e bicos calados, sem mudos serem...

gleinston e o escriba, em nosso país, vendo tudo e bicos calados, sem mudos serem...

outras ótimas e belas pessoas,  e nenhuma solitária, acompanhavam este escriba, hoje, cansado de quase tudo, menos, porém, dele mesmo. E , entre esses meus e queridos personagens, um personagem rico e que seria protagonista em qualquer história deste escriba, contada aqui ou em alhures ( viva o português! viva todas as suas armadilhas!).

Se o Zé Pequeno não compareceu, esse, velho conhecido do grande boêmio Lúcio Ramos, dublê – o Zé Pequeno - no melhor dos sentidos de alfaiate e compositor, um dos três históricos personagens - vou ficar devendo os nomes dos outros dois – do Trio Jaçanã, que tornou a nossa Rádio Tabajara mais musical do que nunca, sobre o qual, depois, neste mesmo espaço, falarei ainda.

Mas, para a nossa alegria, compareceu o Gleiston (seria assim mesmo?) Tejo, nosso leitor-mor, segundo o Gonzaga Rodrigues, todo lucidez sobre os seus quase 80 anos, irmão do escritor de Zé Limeira, o Poeta do Absurdo, Orlando Tejo, e inventor do poema Meu País (Gilvan Chaves, como vocês ficarão sabendo, tem uma pontinha), musicado pelo Livardo Alves.

O papo, tendo como pano de fundo sujo, afirmação sem quaisquer preconceitos, pois, mais sujos que esse são os fundos das mansões brasilienses e de seus respectivos donos, um “edifício-favela”, aquele que

esse o "aglomerado subnormal" do centro da cidade,  que, para o escriba, é mais anormal do que nunca

esse o

um dia servira para acomodar futuros aposentados e trabalhadores do INSS, bem no centro da Província das Acácias. Ah, uma beleza!

Se o nosso Parahyba Palace Hotel estivesse servindo para alguma coisa, hospedagem, por exemplo, nada mais surrealista seria para quem ali estivesse hospedado,  ao acordar, achando-se no centro da cidade, se deparasse com um “aglomerado subnormal (esse eufemismo para favela ainda vai me matar de tanto sorrir) batendo-lhe na cara ainda suja da noite.

Pois bem. Esquecendo o pano de fundo do qual gastei o parágrafo aí de cima para explicar, lembro, mais uma vez, do Gleiston contando a história do irmão-poeta-escritor Orlando Tejo.

- Qual foi, na verdade, a participação do Gilvan Chaves na letra do teu irmão, Meu País, musicada pelo Livardo Alves?

- Eles eram amigos. O Gilvan deu o mote (acredito que tenha sido “Tô vendo tudo, tô vendo tudo/Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo”), e  o Orlando, como sempre, sujeito correto, pela participação, colocou o seu nome como um dos autores.

É… Pode ter sido isso mesmo. Mas quem poderia tirar a dúvida, infelizmente, hoje, com o Mal de Alzheimer, não pode mais. O nosso Orlando Tejo, aos 75 anos, não se lembra mais do Meu (seu) País.

Por fim e no fim do Papo de Terraço, sabendo que o David iria participar de uma entrevista,  papo entre amigos, com o Flávio Tavares, agora, sexagenário, não me esqueci de mandar o recado: perguntas ao Flávio por que, desrespeitando o seu nome como pintor (isso mesmo: pintor) consagrado, ele resolveu se arvorar a fazer uns cartuns e charges tão ridículos na revista A Semana.

Tudo bem, concluí,  a idéia pode ser do editor da revista. Mas, sendo Flávio Tavares, bem que ele poderia evitar o vexame. Nunca vi idéias tão pobres! Nunca o riso foi tão massacrado!

E vocês ainda querem mais Papo de Terraço? Tudo bem, mas somente se  os meus dois leitores, ou, pelos menos um, responder presente.

Quem aceita o convinte ?