Todos os dias milhares de pessoas – não é exagero – são vitimas de bêbedos e desequilibrados que sob o efeito da bebida continuam fazendo de seus carros armas fatais.   Na minha Província das Acácias, recentemente, um “cheio de cachaça”, como se suspeita, mas as provas são irrefutáveis, causou a morte da colega Fátima Lopes. Outro, em período bem próximo, suspeito também de estar embriagado, matou três pessoas de uma só “cachaçada”.

 A Copa do Mundo está próxima. Em breve milhões de brasileiros esquecerão suas cozinhas  vazias de tudo e vibrarão com a Copa. Mas, como todas as outras, essa também passará. Mas,o pior, o mais pior, como diria aquele cantador sem graça e eterno morador da mesmice musical que me entedia, é a tentativa nada vã – vocês verão- da FIFA em liberar o consumo de bebida alcoólica nos estádios de futebol durante o evento, com o abominável argumento de que “A bebida alcoólica é parte da Copa do Mundo!”.

 Ora, afinal, pergunto aos meus dois leitores, lutamos tanto para tirar as propagandas de belas garotas mostrando que se o “esporte é saúde” a cerveja é saúde também e que fumar cigarro Marlboro era coisa pra homem, pra quê? Apenas para a FIFA chegar e dizer que estamos errados e eles certos?

Taqui pra vocês, ó!

Segundo recente relatório apresentado pela Organização Mundial da Saúde, temos hoje – até o momento em que houve a divulgação dos números – 15 milhões de alcoólatras no país e 32 mil mortes por ano ligadas ao consumo de bebida alcoólica.  

Tudo bem que você  não tenha nenhuma preocupação  com o problema, pois,  bebedor assumido, mas social (muito cuidado!), não está fazendo parte desse relatório. É aí, meu bom amigo, onde está o seu primeiro e grande Ledo Ivo engano.

Ah, estão achando pouco? Pois aproveito para lembrar os milhares que permanecem paraplégicos ou tetraplégicos , sem a assistência médica de que necessitam, sobrevivendo sob as expensas do erário verde-amarelo. Triste e sofrida radiografia de um país em que jogadores que mal sabem escrever os seus nomes ganham milhões  e, ao serem flagrados bêbedos, sorriem do flagrante, se negam a “produzirem provas contra si mesmos”, e entre goles de uísque importado posam  de heróis nas concentrações de suas equipes. 

Das muitas leis que são criadas no verde-amarelo para o seu descumprimento por muitos brasileiros, agora, por força da grana que no caso está destruindo as  nossas melhores coisas e nenhuma coisa bela erguendo, nem mesmo os estádios que serão transformados em bares, vem a FIFA lá de fora e sem que os seus dirigentes tenham o menor respeito pelas conseqüências de suas regras,  todos oportunistas , impõem as suas: “Sem a liberação de bebidas alcoólicas nos estádios podem tirar o cavalinho do gramado – não há Copa do Mundo no Brasil!

 Existe em vigor no país do futebol e da pátria de chuteiras, até que a FIFA não o declare morto e sepultado, um Estatuto batizado de Torcedor.E um m Estatuto do Torcedor (especialmente de futebol) no país do futebol e da pátria de chuteiras deveria merecer mais respeito. Entre as suas proibições, vigorando desde o ano de 2003, existe uma clara e concisa que proíbe a comercialização de bebida alcoólica em estádios de futebol.

 Mas, a FIFA, desde que não interesse a FIFA, a palavra “proibida” não tem o menor sentido. O menor valor. Para ela, toda poderosa, é proibido proibir. Se por acaso num dos países em que ela atua alguma regra a proíbe de fazer o que deseja, podem ficar certos de que em pouco tempo o que era Lei deixa de ser Lei. Nesses casos, para a FIFA,  é proibido proibir.

By humberto | - 10:33 pm - Posted in Crônica

Dia desses,passeando por aqui e aproveitando o passeio para cobrar maior rapidez na construção dos “Estádios da Copa”, Jérôme Valcke, Secretário-Geral – eles tem isso também – da FIFA, disse que “Bebida alcoólica é parte da Copa do Mundo!”.  Sem a bebida na Copa, deixou nas entrelinhas,   em  qualquer lugar do mundo  estará  condenada  ao fracasso.

 Mas ão falou em nenhum momento  em modificar algumas regras arcaicas  que atrasam o desenvolvimento desse esporte, deixando-o parado no tempo e no espaço. Também  não falou sobre  o racismo que vem fazendo desse esporte um péssimo exemplo para quem ainda acredita na inexistência de preconceitos num esporte em que um negro brasileiro é considerado “rei”. Sempre assim. Se não mandam o “chefe maior”, vem o Secretário. Jérônme disse mais:

- “Me desculpe – Educação? Zero! -, eu posso parecer um pouco arrogante – foi arrogante e meio-, mas isso a gente não negocia!”.

 Acharam pouco? Teve mais. Ao ser informando sobre o Estatuto do Torcedor não deu a mínima bola para que o que estava sendo informado:

- “Tem que ser parte da lei o fato de que nós – isso mesmo “eles” – temos o direto de vender cerveja!”.

 Atentem para a frase seguinte do Secretário:

 - “Isso a gente não negocia!”.

Por que não existe negociação? A princípio, o termo apropriado numa conversa em que uma Lei em defesa da saúde e bem-estar do povo brasileiro se encontra “em jogo”, não seria “negociar”. Mas, pensando bem, o Secretário não poderia ter usado outro. O termo é esse mesmo: negociar.

 Se um dos meus dois leitores sabe, pois acredito que o outro preocupado com o resultado do placar de Flamengo e um timinho de pé de serra não sabe, a Budweiser, apesar do nome tcheco, genuinamente americana, a marca de cerveja mais conhecida no mundo, banca o evento há 25 anos!  Assim, por baixo, são seis copas do mundo!

 A FIFA, como vocês podem ver/ler, mais poderosa do que a Rede Globo que o Clodovil chamava de “a poderosa”, hoje transformada em um grande BBB, é capaz de tudo. Sobretudo quando os seus dirigentes “sabem com que estão falando”.

Agora só falta mesmo impor que os bêbedos que saem dos estádios mais loucos do que nunca com a  vitória de sua seleção ou derrota, essa em especial, sejam considerados inimputáveis dos crimes que cometerão com as suas máquinas enlouquecidas, muitas também movidas a álcool, se comprovado que a cerveja que beberam foi Budweiser!

 Sinto muito.  Se liberarem eu vou torcer contra!