Um velho escrito sobre o jovem ESQUERDINHA

Um velho escrito sobre o jovem ESQUERDINHA

CRÔNICA ESCRITA E PUBLICADA EM  2011, SOBRE O EX-JOGADOR ESQUERDINHA,  AMIGO DO MEU FILHO, NO ESPAÇO “REPOUSO DO GUERREIRO”, QUE FICA EM MINHA CASA. ESQUERDINHA TROCOU DE ROUPA E SE MUDOU PARA OUTRA CIDADE, ONTEM,  AOS 46 ANOS, VITIMA DE UM  ENFARTE FULMINANTE.

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Uma história de futebol

“Ele não foi um craque. Chegou perto. Muito perto. É o que dizem os que jogaram com ele. Passou fases maravilhosas dentro de campo. Aqui e em alhures. Esse (lugar) que não fica no verde-amarelo. Ganhou dinheiro. Muito. E numa moeda que poucos por aqui já viram. Muitos nunca tiveram uma cédula na mão. Ou no banco.

 Num papo franco, como pedi e ele concedeu, perguntei quanto chegou a receber de salário. Na última temporada não foi tanto assim, respondeu, “Apenas” R$ 250 mil em nossa moeda. Pouco ?! Era. Pois em tempos outros, esses de vacas goradas, chegara a receber quase R$ 500 mil.

 Voltou ao ponto de partida depois de uma cinco temporadas lá fora. Passou por vários times. A decadência começava a anunciar-lhe a visita. Fez o seu “pé de meia”, pensou, iria voltar como “rei” a sua terra natal. Não era natural da capital da Parahyba.  Mas, logo cedo, aos 12 anos, por aí, veio com os pais morar na capital.  

 Morava mal. Numa Favela que ele aprendeu a chamar de Comunidade. Uma das mais pobres. Aprendeu as primeiras letras, mas nunca desejou chegar nas “segundas”. Futebol? Nem pensar. Trabalhava. Era um trabalhador braçal.  O futebol foi por acaso. E o acaso, ele nunca disse a frase, é o nome de Deus quando não quer assinar.  

 É o tipo de acreditar no destino. Tudo estava traçado. Acreditava. Acredita. Daí para o sucesso como jogador de futebol fui um pulo. Ou melhor: um drible e um gol. Hoje, de volta ao começo, se não está pior que quando começou, está muito próximo.

Depressão. De tudo que conseguiu amealhar quando no auge estava, resta muito pouco. Vendeu quase tudo para sobreviver. Sobreviver. A casa é simples e os carros, muito importados, que trouxe de lá, foram vendidos. Estava chegando ao fim.”

 

Em tempo um: Não quis citar o nome do personagem. Confesso que, mesmo que ele não tenha pedido, achei por bem preservá-lo. Estava passando por uma fase dificílima. Contou. Esquerdinha, para os poucos que não sabem, era de uma dignidade exemplar.  De uma humildade e sensatez dificilmente encontradas num – nenhum preconceito –  jogador de futebol. Não era o único. Verdade. Pois conheço muitos que também merecem esses predicados. Mas “Esquerda”, como o meu filho o chamava, considerando de onde saiu e até onde chegou, nunca perdeu essas qualidades. Um sujeito que todos mereciam conhecer enquanto morava nesta cidade, e vestia a roupa que por aqui todos ainda vestem. Que descanse em paz.

 Em tempo dois: Nas temporadas futebolísticas de Esquerdinha lá pras bandas de Portugal/Espanha, ele conquistou muitos admiradores. Alguns comentaristas ainda hoje dizem ter sido o melhor lateral que já passou na história do Porto. O Vítor, respeitado jornalista esportivo das bandas de lá, após leitura do textinho aí de cima, publicado no “Eu plural – humbertodealmeida.com.br¨ e num dos nossos grandes (?) jornais, esse em que fui colunista por muitos anos, enviou para este MP o imeio aí de baixo. Respondi com esse e outros imeios cheios de informação a respeito desse bom caráter – era mesmo – e humanista (era, sentia) cidadão caiçarense. Ah, era muito amigo do meu filho Erlandsson, a quem sempre o chamou, como muitos, pelo apelido carinhoso de Landinho. Senti. Na cronicazinha aí, por respeito ao bom Esquerdinha, omiti muito do que ele me contou. Não achei que deveria contar o contado por ele. E não contei. É o que podemos dizer, em nossa linguagem, que foi uma “conversa em off”. O respeitei. Ele merecia e, respeitado, deve continua a ser. Resquiecat in Pace. – 1BERTO DE ALMEIDA

  

Em 13 de setembro de 2011 13:45, Vítor H. Alvarenga escreveu:

Boa tarde, Humberto

Entrei em contacto consigo por causa do Esquerdinha, antigo jogador do F.C. Porto, mas só agora reparei na sua resposta no Twitter. Peço imensa desculpa por isso.

De qualquer forma, continuaria a ser interessante entrar em contacto com ele, para recordar a sua passagem por Portugal. Pode-me ajudar?

Obrigado por tudo,

Atentamente

Vítor Hugo Alvarenga
Jornalista
Maisfutebol

 

 

 

oi, vitor…

 

sempre esquerdinha – marcelo – vem à minha casa. brindamos quase sempre juntos. meses atrás, dois ou três, ele estava treinando o botafogo paraibano, time que na verdade o descobriu. foi técnico por poucos dias. o botafogo, infelizmente, não se classificou para disputar a final do campeonato paraibano. vez em quando deco, hoje no fluminense carioca, entra em contato com ele. são amigos. acredito que ainda esta semana ele virá – moramos perto – à minha casa. falarei a teu respeito. e quaisquer outras coisas, tudo bem, é somente comunicar. ah, vou enfocar a sua passagem por aí. ele sempre tem boas histórias para contar.

putabraço.

1berto de almeida

 

Ficha Técnica

 

 

Esquerdinha
Informações pessoais
Nome completo José Marcelo Januário de Araújo
Data de nasc. 6 de maio de 1972 (46 anos)
Local de nasc.  Brasil
Nacionalidade Brasileiro
Falecido em 1 de novembro de 2018 (46 anos)
Altura 1,76 m
Canhoto
Apelido
Informações profissionais
Clube atual Aposentado
Posição Lateral-esquerdo
Clubes profissionais1
Anos Clubes Jogos e gol(o)s
19921993
1994
1995
1996
19961998
19992001
20012002
20022003
2003
2007
 Botafogo-PB
Corinthians-AL
Bahia
Fluminense
Vitória
Porto
Real Zaragoza
Académica
Goiás
Botafogo-PB
272 (8)
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