Bons tempos aqueles em que o carnaval tinha cheiro!

Bons tempos aqueles em que o carnaval tinha cheiro!

Vem por aí mais uma (a) Folia de Rua.  Nada mais comum, meus amigos, todo ano vêm. Agora até quando, juro que não sei. Mas uma certeza ninguém tasca. Vi primeiro: essa folia tem vindo cada vez mais fraca. Algo parecido com aquele famosa cantiga da perua.   O número de blocos diminui – ou aumenta, tanto faz – e o vazio carnavalesco aumenta nesta cidade, onde o quarta-feira de cinzas chega primeiro.

Não vou neste parágrafo perder o meu tempo nem pedir para vocês encontrá-lo. Lembrar a minha última e melhor das folias é uma tarefa minha.  Faz tempo. Acho até que o Cachimbo Eterno, apelido que pegou, dado pelo meu saudoso irmão Leonardo ao histórico Antonio Leite, o FB_IMG_1581589402044do também  histórico Veteranos de Jaguaribe, o Veteté, para os mais íntimos, ainda morava nesta cidade. A folia não foi da rua.  Veio dela. Hoje tudo mudou. Tudo flui, dizia o bom Heráclito. Dessa vez, porém,  não me refiro ao meu pai Heráclito de Almeida, um filósofo, mas ao Heráclito de Éfeso, o outro.

Tudo mudou e continua mudando. Sempre. Fluindo. Foi o” assunto de conversa”, como diria o amigo do meu bom irmão Dapenha, num breve papo que tive outro dia com o bom advogado e carnavalesco Marcos Pires, no “baile das muriçocas”. O baile? Valeu. Por que não?  Os nossos verdadeiros carnavalescos estão indo embora, foi o tema.  O pior é que não chegam outros para substitui-los. Péssimo!  Às vezes dá na gente uma saudade que mais parece um banzo.  Vocês sabem o que é. Sobretudo os negros como este Malabarista de Palavras.

Os velhos e lembrados carnavalescos estarão  presentes em nossos pensamentos.  Sempre. De cor e sem saltear diria que carnavalescos como Livardo Alves de todos os carnavais, Zumba dos Piratas de Jaguaribe, João Grande dos 25 Bichos, Vinicius dos Bandeirantes, Orlando da Malandros do Morro, Martinho da Última Hora, Creuza Pires da Melhor Idade e outros não menos carnavalescos não existem mais. Foram abrilhantar as ruas da folia celestial e, dessa vez, um fato raro, levaram as  suas fantasias.

Mas é impossível não lembrar que o meu pai Heráclito de Almeida e a sua indefectível clarineta estão  presentes nos meus carnavais.  Ele só não. Os meus  ocupam um lugar especial no salão da folia que nesses dias é aberto dentro do peito desse carnavalesco nem tanto assim. João Heráclito, o meu eterno pavão dos 25 bichos; Lauro, o professor e o gracinha, para muitos, eterno meu também Jacaré´ dos 25 Bichos;   Leonardo, o educado e gentil  e fino Cavalo dos 25 Bichos, e Tota, que mesmo não estando no meio de “roda”, mascarado ou de rosto limpo,  saiu todas as vezes com eles, Pirata de Jaguaribe,  na frente,  marcando passo e abrindo a folia

Deixando os meus de lado, esse o esquerdo do peito, lembro que Livardo Alves, também um dos meus, sem dúvidas, costumava dizer que no dia em em  fosse embora –   trocou de roupa e foi morar noutra cidade no 16/03/2020, aos 66 anos de… Carnaval) a alegria de ter vivido os nossos melhores carnavais iria com ele. Não que fosse levando a alegria dos carnavais que ainda acontecia por aqui, com Lauro e João Heráclito ainda fantasiados de folia (gostei). Não era isso que o bom Livardo estava me dizendo. Viajaria sabendo que os verdadeiros

foto de 1berto de almeida: a galinha de livardo.

foto de 1berto de almeida: a galinha de livardo.

carnavais, aqueles que tinham cheiro, como costumávamos dizer, ficariam apenas em nossas memorias.  Era isso.

Tinha razão, o bom Li.  O Carnaval sem eles não existem mais. Aquele carnaval que tinha cheiro. Eles tiraram as fantasias e penduraram no cabide da saudade. Fim de papo. E da folia. Agora não passa de uma fotografia  desbotada na parede da  memória. E como doeria, profetizaria,  e como dói, acertara em cheio o filho de Dona Julia e Cacheado.

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