Ditadura nunca mais! Democracia ainda que vadia!
a bela ilustração do poetartista Lunguinho

Ditadura nunca mais! Democracia ainda que vadia!

Negar nunca hei que vivi ainda um restinho dessa Ditadura que muitos confessam sentir falta e eu nem um pouco.  Mas, se disse vivi, foi apenas pela força de expressão. A verdade é que “sofri” ainda um tanto que não gostaria de lembrar. S foi o pouco? O suficiente para saber e detestar essa Ditadura que muitos desejam esperando que para ele seja mole. Tudo isso no finzinho desse que foi um dos mais tristes capítulos de nossa história.

Ah, censura! Esse era um dos instrumentos de tortura da Ditadura nos fazia tremer de medo – isso mesmo: medo. – dos pés à cabeça. Foram muitos os “desaparecidos”, os torturados, os mutilados no corpo e na alma. Não se dizia “assassinados” pelo regime, mas “desaparecidos”. Um eufemismo dos mais sacanas utilizados pelos militares. Impossível não dizer   que “fico doente” quando escuto um sujeito pedir a volta dessa tortura que ainda hoje é um pesadelo para o sono de muitos.   Para esse que, se preciso for, tudo farão para que essa praga não volte a acontecer.

Confesso aqui que não tenho vontade de sacar o revolver quando escuto alguém suplicar pela volta desse regime que se não nos deixou magros de fome nos encheu de medo e matou outros que nem tempo para sentir esse medo tiveram.  Também não direi que os perdoo pelo fato de saber que eles não sabem o que dizem.  Eles sabem. Infelizmente. Muitos desses, porém, dizem sem a mínima noção do que estão dizendo, estão pedindo. Uns Infelizes. Masoquistas. Sádicos.

 Sobre esse judiciário que está aí, considerando os presidentes que indicaram os seus membros e os perfis dos mesmos, não preciso dizer muita coisa. O velho Rui Barbosa já disse há muito e disse bem. Também é verdade que o baiano dava as suas cabeçadas e radicalizava em posições muito longe de serem consideradas dignas de sua lendária inteligência.  Muito do Rui é lenda mesmo. Mas não se pode negar que acertou na mosca quando disse que a pior das ditaduras é a ditadura do Poder Judiciário, pois, contra ela, não há a quem recorrer. E tinha razão. Tá tudo aí. Sem considerações gerais a fazer.

 Esses que pedem a volta da ditadura, se não pensam numa democracia não será em uma ditadura que pensarão. Pensar não tem nada de livre em um estado de exceção. Tão lembrados do famigerado Adolf Hitler? Pois bem. O sacana costumava dizer que os ditadores tinham sorte porque os homens não pensavam.  Tinha razão o sacana.  Uma verdadeira constatação.  Confesso que não somente detesto as ditaduras.  Abomino-as do fundo do peito.  Temais: detesto   todo e qualquer tipo de ditadura.  E se esses não gostam do regime democrático em que vivem, que lutem para melhorá-lo.  Não esqueçam, porém, que a pior das democracias é muito melhor que a melhor das ditaduras.

Quando um sujeito chega a dizer que o “erro da ditadura foi torturar e não matar”, e que “Pinochet deveria ter matado mais gente “, não tenha nenhuma dúvida de sua – do sacana que disse isso –  falta de caráter e do perigo que esse pulha representa à democracia. Sacana ele é.  Tão nocivo quanto o torturador.   Um canalha.  Sacripanta.

 Agora pergunto se vocês: sabem quem é o autor dessa pérola. Não sabem?  Mas nem precisam ir longe.  O pulha é esse sujeito que está por aí dizendo que o Corona, mesmo matando milhares de brasileiros em poucos dias, não passa de uma gripezinha de nada. Um sacana, repito.  O presidente Bolsolouco. O mesmo que defecou pela boca quando disse que o “ Grande erro da ditadura foi não matar vagabundos e canalhas como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso”.  Tá bom ou querem mais?

Dói, meus amigos, dói e a dor não é pouca. Não bastasse o triste e pavoroso momento que estamos (sobre) vivendo.   Reafirmo que não votei nele, não votaria e nunca votarei.  Torço para que ele acerte, mentir não irei.  Mas não acredito que um sujeito que pensa dessa maneira seja capaz de acertar em algo. Por enquanto, embora torça para que esse “enquanto” passe logo, basta o Corona para nos tirar o sono.  Chega de vermes, basta esse vírus.   Só não podemos é esquecer o que foi a Ditadura Militar. Lembrar. Pois somente assim, não correremos o risco de cometer os mesmos erros.  Não esquecer, também, que o preço da democracia é a nossa eterna vigilância.

 Agora que me dá uma pena danada quando leio o escrito de um colega em defesa dessa praga, isso não consigo negar.  Não vou perder o amigo por isso, acreditem, mas um pouco de mim ele perderá ao pensar assim.

   Ditadura nunca mais, democracia ainda que vadia. 

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Um comentário

  1. É isso mesmo, caro irmão, não temos direito de cometer o grave erro da omissão, se posicionar é tão preciso como precioso gesto. Ditadura nunca mais!

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