A DESPEDIDA DE ANCO E O SEU MANUAL DA FELICIDADE
o poeta e jornalista e ator e radialista anco márcio

A DESPEDIDA DE ANCO E O SEU MANUAL DA FELICIDADE

No dia 22 de junho de 2013, uma notícia que não me pegou de surpresa, confesso,  saía em rádio e televisão, informando que o  meu amigo e colega de redação do seu Romance da Cidade, um dos espaços mais lidos da Província das Acácias, trocou de roupa e foi morar noutra cidade. Anco Márcio tinha 68 anos de idade.

Dia antes, ainda no Hospital São Domingos, nesta capital, onde estava internado, depois de sofrer o seu primeiro e quase fatal Aneurisma Vascular Cerebral, ainda lúcido, chorando muito,  Anco pediu para este Malabarista de Palavras voltasse a dividir come ele o Romance que começamos a escrever muitos anos antes. Tinha saído do Romance da Cidade dele, para começar um no neste espaço Plural.

O meu amigo estava com u uma perna vestida e outra ainda fora da roupa que mais tarde usaria. Senti. Chorava muito. Sentia que a sua – dele – mudança para outra cidade não estava longe. “Eu quero, 1berto, eu quero que você volte. Vamos continuar escrevendo juntos. A gente se parece muito nas coisas que escreve e pensa”. Tudo bem, Anco, respondi, voltarei. Não com a mesma assiduidade, mas duas vezes por semana, por aí, pprometo que voltarei ao Romance.

Ele parou de chorar. Mas nada  tinha a ver  com a promessa que fiz de voltar ao seu – dele – Romance. Disse-lhe, depois de insistir inúmeras vezes,  que ele não estava de partida. Ele tudo ouvia e olhava-me triste no fundo dos meus olhos. Ora, aquilo foi apenas uma brincadeira da “Onça Caetana”,  disse-lhe ainda,  logo estaríamos  juntos romanceando as coisas daqui e de alhures. Não demorou muito. infelizmente. Não voltaríamos as escrever juntos outras páginas do seu Romance. Bons tempos aquele, hein?

Mas, antes mesmo de Anco vestir uma perna da calça da roupa que hoje está usando e morar noutra cidade, no seu Romance e aqui neste singular espaço Plural, por muitas vezes escrevi e reescrevi dizendo que ele não era “apenas”  o melhor texto de humor destas plagas e, portanto, um dos melhores do verde-amarelo. Disse mais: Anco é um poeta e jornalista como poucos que passaram e  poucos como ele  por aqui  passarão. O seu texto é poético sem deixar de ser jornalístico. Era um contista de mão e cabeça cheias. Mais que isso, disse ainda:  sabia como nenhum outro falar das coisas simples sem o ranço que outros – mesmo também delas falando – acabam sendo chatos e presunçosos.

 Esse seu texto que hoje espalho no espaço que criei para ele, homenagem ao amigo que sabia ter nele um  exemplo de amigo e  jornalista, intitulado de MANUAL DA FELICIDADE, é mesmo para se guardar. É de uma lucidez e poesia raras nos muitos “escritores de variedades” que conheci, e pouquíssimos que conheço e ainda merecem ser lidos. Um texto que deve ser lido e relido e guardado. Eu guardei.

Escrito dois anos antes de sua mudança para outra cidade, Anco estava cada vez melhor e  melhorava a cada dia. Vale não somente a sua – dele, do texto – leitura. Mais que isso: vale ler e refletir. Um poeta que sabia falar das coisas da vida e do coração em versos leves, livres e soltos. Ele não dava uma de professor, embora fosse, mas de quem aprendeu muito na vida e aprender continuava. Ensinava para aprender e aprendia para ensinar. Anco faz falta. E muita.

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