Á Dona Iolanda: esta lembrança  é mais que mais uma lembrança – é uma declaração de amor e gratidão
dona iolanda, o mb e a filha mariinha

Á Dona Iolanda: esta lembrança é mais que mais uma lembrança – é uma declaração de amor e gratidão

HOJE É QUINTA FEIRA, DIA  15 de outubro de 2020.  Nada a estranhar. Se toda semana temos uma quinta-feira,  o mês de outubro temos todos os anos.  

Neste 15 de outubro, porém, assim como nos outros, se comemora o Dia do Professor. Acho que é isso. Um profissional essencial à formação do “homem-cidadão”, mas esquecido por muitos que nada de essenciais têm.   

Nada tenho contra essa homenagem, mas pouco tenho a favor. Assim, esqueçam as homenagens e valorizem o profissional. Serei todo a favor dessa vez.   

Lembrei – lembro-me sempre – a minha professora da rua dos meus passos. Melhor: da Rua Senhor dos Passos, do meu bairro Jaguaribe.  A senhora dos meus passos primeiros, a  primeira professora, a minha, Dona Iolanda.

Sei que neste dia serão muitos desejando o melhor para esses/essas que nos deram régua e compasso. Nada a ver, porém, com a Bahia que régua e compasso deu ao compositor. Dona Iolanda  nos deu muito mais:  mostrou o mapa e ensinou o caminho.

 Não faz muito tempo que  estive na escolinha da professora que me ensinou a distinguir uma tabuada (contas e contas para um dia ficar rico) de um caderno de caligrafia.

 Por sua vez, melhor, vez dela, outra me ensinou que ninguém   tem uma “bela caligrafia”. Tem-se grafia. E bela essa será se for realmente bonita. Ah, essa “outra” foi a boa Concita Barros.  

-   Meu filho, era ali que você ficava sentado no banquinho que trazia de casa…

Era Dona Iolanda se derretendo em pingos reticentes de saudade no final da frase.   

Não estanhe o “trazer de casa” um banquinho”. Somente assim tínhamos onde sentar. Naqueles anos era comum ver  meninos somente orgulho, carregando livro e caderno debaixo de um braço,  e no outro um banquinho  como fosse esse um colete de salvação. Pausa. Snif, snif, snif… E era.  

Era assim, todo dia, com exceção, claro, dos sábados, domingos e feriados. Mas nunca cansávamos de levar  esse banquinho à escolinha de Dona Iolanda,  e trazê-lo  para casa.  Um banco que ainda hoje carrego comigo. Carregamos. Um banco que por mais que tentem, ladrão algum há de roubar um dia. Nem sentar.

 A minha gratidão, pois,  à Dona Iolanda por ter “fundado” um banco – onde não raras me sento para descansar desta vida corrida –  dentro da alma desse seu eterno aluno.

 

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