A ignorância da pandemia é a pandemia da ignorância* (oitavo dia de quarentena)

A ignorância da pandemia é a pandemia da ignorância* (oitavo dia de quarentena)

Vocês sabem. Escrevo estas para os meus dois féis leitores. Estou em quarentena exatamente há 08 dias. Posso falar nesse singular porque reconheço estar assim (de quarentena) mais do que muitos. Nesses dias, não sei se o mesmo acontece com vocês, uma só vez não fui à rua. Não é medo. Tenho, claro. Mas não é  “somente”  o medo. Sou o tipo de seguir recomendações e sigo. Sobretudo quando essas vem de quem entende do recomendado mais do que eu.

Da minha ilha cercada de livros, discos e filmes por todos os lados, mesmo sem querer, pois é impossível evitar, assisto as notícias que me chegam pela televisão ou via internet. Espantou-me, sinceramente, na Itália, um pais do primeiro mundo, sem dúvidas, os caminhões do exército transportando urnas de idosos mortos pelo coronavírus. A imagem  está na memória, assim como  a tatuagem que o meu saudoso irmão Tota fez  – no peito –  com o nome da nossa mãe no meio de um coração fora do peito. 

Por que não temer?

Agora, infelizmente, assim mesmo, infelizmente descobriram que o Corona não escolhe o próximo que vai picar e, quem sabe, ser mais um de suas vítimas fatais. Pouco o quase nada term a  ver (nem falar,nem ouvir…) com a idade.  Os velhos não estão mais sozinhos. As crianças, adolescentes e jovens (sic), sem distinção de cor, credo ou  idade, agora estão na lista.  Fazem parte desse grupo de risco que é a humanidade.virus dois um

Mas o que me dói mais fundo é saber que o presidente Jair Bolsonaro pensando ser mesmo o Messias, talvez, não acreditar que um bichinho (nada de carinho) desse tamanho e invisível para os olhos, mas terrível,  possa fazer “tanto barulho”.  Não existe, diz sorrindo, brinca com o vírus. E mesmo sabendo que pode ser um infectado – tudo bem que ele não acredita na existência desse bicho que hoje parece matar mais que a fome -, como assim foram os seus acólitos, se joga no meio do povo feito um camicaze mais louco  do que “normalmente” esses são. 

Dou uma espalhada de olhos pelo espaço internético, leio sobre o estrago que esse pequeno e invisível e terrível bicho (gosto de trata-lo assim) vem fazendo no mundo e me sinto como se estivesse assistindo a um filme de ficção. Terrível! Os homens, se antes já estavam se afastando uns dos outros pelo preconceito, condições sociais e sacanagens outras, hoje, por força dessa coisa terrível que não se vê a olho nu, mais afastados estão. Se o temo? Pergunto aos que acreditam na sua existência: e vocês?

Estou em casa e nela hei de ficar por um bom tempo. Não foi uma escolha minha, todos sabem. Embora quem me conheça saiba o quanto em minha casa de ficar eu gosto. Seja essa que carrego dentro do peito, aquela em que nasci no meu bairro Jaguaribe e que hei de comprá-la (!) um dia,  ou essa que está fora de mim, mas que me faz um bem danado estar dentro dela

O presidente – Não adianta. Ele infelizmente foi eleito e é o presidente deste país onde, segundo o próprio, o corona ainda não chegou porque não existe. – Jair Bolsonaro, esse em que não votei e cansado estou de assim declarar, não acreditando  que essa praga ainda vai levar muitos brasileiros à cidade de “pés juntos”,  brinca, sorri, faz piada e, mesmo que essa não tenha  graça, divide a piada e  essa falta de graça e respeito ao povo brasileiro  com os seus filhos. O psicólogo Luiz Carlos Bolzan, tá mesmo coberto de razão. “A ignorância da pandemia  é a pandemia da ignorância”.  E que o Jair Bolsonaro leve mais essa na cara.

Se estou com medo? Às vezes o nojo de tudo isso, o medo supera.

*Luiz Carlos Bolzan

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