A Minha Casa Vai Virar um Presídio!

A Minha Casa Vai Virar um Presídio!

Mas, após relutar por tanto tempo, um primeiro tempo  que durou mais do que quarenta e cinco minutos, agora não tem mais jeito:  se os muros antes ainda permitiam a liberdade dos nossos olhares, agora só permitirão  a passagem da imaginação.

Se estou com medo da violência e por isso farei da minha casa um presídio de segurança máxima? Mais que isso. Estou com medo de sair de dentro de mim e me tonar cá do lado de fora o homem violento que  vive dentro de todos nós.

Não adianta posar de sujeito bom que leva uma tapa num lado do rosto e oferece o outro para mais uma tapa levar com  um sorriso cortando esse rosto de um lado a outro. . Mentira. Infelizmente a bondade só existe quando ao bondoso ela convém. Somos maus por natureza.

Entraram na minha casa pela madrugada e furtaram um dos meus sonhos. O sonho  de que mais ou menos – nem quero nem mais nem menos nunca mais – seguro  nós estávamos.   O furto foi o mínimo. Mas a sensação de impotência – não medo, não medo – foi a máxima.

Deixou-me com aquela sensação de que fora de mim nunca estaria seguro  e o quanto como cidadão cumpridor de meus deveres estou  indefesso. Frágil. Incapaz de reagir contra esses fantasmas de carne e osso que nos atacam durante o dia e  mais ainda pela madrugada.

A minha casa vai virar um presídio. A minha tristeza maior é saber que um crime só não cometi, mas condenado estou – estamos, a Morena e eu – a viver preso dentro dele/dela. Nada de prisão domiciliar. Pior. Estamos presos mesmo num “presídio caseiro” de segurança máxima. Pausa. Ainda bem que não roubaram o meu Título de Eleitor.

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