ACABOU O NOSSO CARNAVAL… E AGORA ?

ACABOU O NOSSO CARNAVAL… E AGORA ?

Silêncio. Faz mais de uma semana que o silêncio  do carnaval nada deixou. Nem resto.  A quarta-feira de cinzas passou sem fazer fumaça. O que se queimou agora é passado. E agora, o que fazer?  Só nos resta  tirar e guardar a fantasia. Tomar um banho daqueles de horas debaixo de um bom chuveiro. Esfregar bem o corpo para largar a purpurina e esquecer confetes e serpentinas que ficaram no salão…

O carnaval pessoense, o verdadeiro, desde o primeiro dia já era uma fotografia amarrotada e  triste e desbotada na parede da memória dos velhos carnavalescos. Esses verdadeiros. Mas fazer o quê? Se  no entanto como pediram aqueles dois velhos saudosistas, um no andar de cima e outro ainda por aqui fazendo belas canções, é preciso cantar?

Mais que nunca!

Mesmo com um rei momo necessitando urgentemente fazer uma redução de estômago. Um rei que este ano – fez bem – não andou com a falsa alegria de um carnaval batizado de “tradição”. Uma alegria passageira de uma prévia fabricada em cima de trios elétricos. Era preciso cantar? Não cantaram! Nada de alegrar a cidade!  A nossa cidade – por mais que sorriam e cantem no carnaval – é uma cidade triste nessa época!

Não adianta. Caminho contando os passos em direção ao trabalho e não encontro sequer um folião perdido a entoar uma daquelas inesquecíveis marchinhas que faziam verdadeiro o nosso carnaval. Nem a Marcha da Cueca, belo e sonoro cartão postal desse carnavalesco verdadeiro. Livardo Alves. Esse que dizia ter cheiro o carnaval de sua época. Um carnaval com cheiro!

Acabaram o nosso carnaval e ninguém sabe cantar uma só de suas antológicas canções. Pausa. Sabem. Muitos  que sabem, porém, acham-se  jovens demais para cantar velhas canções!  O silêncio das línguas e corpos cansados estão nas imagens dos desmascarados papaguns. Fica a saudade. O que é isso ? Eles não sabem de onde vem esse gosto de cinzas na boca!

As ruas na quarta-feira de cinzas são vazias como os homens – viva o “poetinha”! – nos dias de sábado. É uma gente, como diz a canção popular, que não se vê; uma gente que não sorri e não se beija nem se abraça. Acabou o carnaval e a tristeza que estava em férias agora já pode voltar. A esperança de viver outros carnavais, mesmos tristes como esse, também.

Aguardemos. Outros carnavais mais tristes ainda virão nos próximos anos. Pausa. Se não bastasse a mania desse belo povo de fazer de tudo um carnaval,  eles virão. E, com eles, as mesmas alegrias fabricadas em série como as serpentinas que são varridas dos salões nessa quarta-feira.

Então, se o tempo, como dizem por aí vale mesmo ouro, seja um rico folião no próximo carnaval. Economize tempo!  Não tire a máscara nem a fantasia  Se faltar o pão não ligue nem pare de dançar. O circo é a vida toda!

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