Adelino Moreira

Adelino Moreira, o grande parceiro de Nelson Gonçalves
Primeiro grande sucesso da dupla foi a composição “A Última Seresta”, que por pouco não ficou apenas no papel.

Hilton Gouvêa
hiltongouvearaujo@gmail.

Adelino Moreira era apenas um jovem português que viera para o Brasil com os pais ricos, quando resolveu se tornar cantor. Apesar de algumas canções de sucesso, não logrou o êxito financeiro esperado. Foi aí que, em 1952, ele conheceu o cantor brasileiro Nelson Gonçalves, a quem propôs gravar uma de suas composições, “A Última Seresta.” Nelson recusou, alegando que a letra era grande e ninguém conseguiria decorar. De repente o cantor voltou atrás e esta canção, além de alcançar o maior sucesso, se tornou a preferida dos “fãs da roedeira”, um termo que, no Brasil de então, enquadrava aqueles que sofriam por amor. Informações assim constam no acervo do advogado José Alves Cardoso, o Don Cardoso, um musicólogo que se dedica, há mais de meio século, a pesquisar a vida artística de celebridades da música popular brasileira. “A riqueza e a inteligência musical de Adelino lançaram Nelson como o artista da voz que mais vendeu discos no Brasil”, observa Don Cardoso. “Adelino, além da sua fortuna pessoal, possuía o que chamamos de o toque de Midas, pois suas composições eram aceitas pelo público e até hoje são lembradas”. A vida deste compositor, que foi 90% responsável pelos sucessos musicais de Nelson Gonçalves, transcorreu cheia de surpresas. Em 1959 Nelson e Adelino se encontravam numa buate, quando uma cantora, com timbre de voz diferente e agradável, saudou a dupla e, em seguida cantou várias composições de suas autorias. O nome real dela, na época, era Edenilde Araújo, uma nordestina do Rio Grande do Norte. Por motivos artísticos ela passou a se chamar Núbia Lafayette. Mais tarde, dispararia nas rádios com o sucesso “Devolví”, de Adelino Moreira que, impressionado com a voz da jovem, levou-a para gravar na RCA-Victor. Autor de sucessos inegáveis da música popular brasileira Adelino emoldura seu repertório de ouro ao compor “Negue”, “Fica comigo Esta noite” e “A Volta do Boêmio”, gravadas por Nelson Gonçalves; ou “Cinderela”, por Angela Maria; e “Ciclone”, por Carlos Nobre. Todas são composições que se tornaram inesquecíveis e até hoje fazem parte do repertório dos seresteiros do Brasil. Adelino nasceu na aldeia de Covelo. em Gondomar, distrito do Porto ( Portugal), no dia 28 de março de 1918. Era filho de Serafim Moreira Sofia e Maria Rosa Martins de Castro. A família veio para o Brasil em meados da década de 1920. Se estivesse vivo estaria com101 anos e oito meses de idade. No início de 1940, Adelino iniciou sua carreira como cantor. Na época, seu pai era um dos patrocinadores do programa “Seleções Portuguesas”, do Maestro Carlos Campos, na Rádio Clube do Brasil, onde Adelino começou a cantar. Suas primeiras gravações foram os fados “Olhos d’alma” e “Manita”; o samba “Mulato artilheiro”; e a marcha “Nem Cachopa, nem Comida”. Gravou alguns discos aqui no Brasil, na Continental, em 1945 e 1946, e também em Portugal, em 1947, na gravadora Pharlophon. A carreira de cantor durou pouco. Após uma viagem a Portugal, onde se apresentou em teatros e emissoras de rádio, ao voltar para o Brasil decidiu que queria apenas ser compositor.

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