ai que saudades que eu tenho do velho e verdadeiro judas do meu jaguaribe!

ai que saudades que eu tenho do velho e verdadeiro judas do meu jaguaribe!

Tudo passa nesta vida. Tudo. Somente, segundo Ele, as suas palavras não passarão. Eu acredito e muito. Mas, aqui nesse silêncio de terça-feira, passada a Páscoa e festanças outras, carnaval e folias brasilienses, fico a lembrar dos tempos em que malhar o Judas era o divertimento maior de cristãos e outros que ali estavam apenas pela festa.

O Judas mais famoso do meu bairro era o da Vila dos Motoristas. Tudo começou aos pouquinhos. Uma ajudinha aqui, outra ajudinha ali e, pouco a pouco, o Judas foi se popularizando.  E se digo “popularizando” é porque tem tudo a ver com a Vila em que nasci. Às vezes até brinco com as palavras e pensamentos dizendo que, assim como Noel Rosa, também sou da Vila. Dizia e acrescentava para que ninguém ficasse em dúvida: Vila… dos Motoristas.

Mas é bom lembrar que o Conjunto José Américo de Almeida,  esse do meu bairro Jaguaribe, é conhecido  como Vila dos Motoristas.  Os mais velhos, porém, como era o caso do Compadre Heráclito e Dona Chiquinha, conhecidos do lugar, muito, os meus pais, chamavam a Vila dos Motoristas de Popular. Assim:  Vila Popular.

 Hoje, passando por lá, estiquei o olhar e vi o que há muito tenho visto e poucos hoje ainda veem. A Praça dos Motoristas, como também é chamada a pracinha que caracteriza essa Vila que nada de vila tem, é oficialmente chamada de… Praça João Monteiro da Franca(?!).

Mas, como dizia no começo deste exercício para os dedos, o Judas famoso de Jaguaribe, aquele que por muitos anos o Galego da Vila tomou conta, nasceu na casa do compositor da Marcha da Cueca, Livardo Alves, aquela do “eu mato, quem roubou minha cueca pra fazer pano de prato”.  

Um dia muito antes de ele trocar de roupa e se mudar para outra cidade, onde hoje mora e de lá, vivendo muito bem, acredito, nunca mais se mudará, me falara sobre o “primeiro testamento” deixando por aquele que vendera o mestre por trinta dinheiro. Tudo aconteceu de improviso.  Falara dias antes da morte do traidor que, a partir daquele dia, seria enforcado na árvore mais alta, essa roubada da Mata do Buraquinho,  nosso belo restinho de Mata Atlântica

Hoje não tem mais Judas. Não tem mais graça a malhação de um Judas que nada tem a ver com o judas primeiro, enforcada e malhado no espaço que um dia fora o meu primeiro campo de pelada, agora transformado em feira-popular.   Sábado   de aleluia, um dia depois da crucificação do traído por Judas, sem ele, o Judas para malhar, pois o Cristo ressuscitou   no terceiro dia, não tem graça.  Se tem pascoa, essa passagem é outra história em que, todos que acreditam Nele, querem também por ela passar.

Compartilhar...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on Twitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*


4 − dois =

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>