alex madureira: um guitarrista arrombado de bom!

A sua guitarra é brasileira. Não adianta. Muitos tocam uma guitarra com raízes colhidas em quintais outros. Americano ou inglês. Quase sempre. Temos alguns ótimos guitarristas por aqui. Mas a guitarra dele cabe em qualquer espécie de tom e ritmo. Passeia com maestria do Jazz ao Forro. Do jazz do John Coltrane ao forró do nosso Jackson do Pandeiro; do rock de Jimi Hendrix e Eric Clapton ao “chorinho”, por ele eletrificado, do Jacob do Bandolim e Pixinguinha.FB_IMG_1581357513085

Alex Madureira é aquele sujeito que pode chegar no final da festa, e todos logo percebem que ele chegou. O indicador de sua chegada? A sua inconfundível guitarra e o bom menino – um meninão, na verdade, de bermuda e boné assim meio relaxado – que carrega no homem de 65 anos. Em tempos outros, esses há muito tempo, lembro que espalhei algumas mal-traçadas sobre o seu trabalho, em parceria com o Xangai, no jornal em que colunava (gostei).

Sempre gostei do Xangai. No entanto, gostava ainda mais quando ele não se achava o “dono” da bela obra do Elomar Figueira de Melo. Somente Xangai sabe cantar Elomar? É o que ele pensa. Foi nessa época que, chegando por aqui, ciceroneado pelo excelente artista da fotografia, assim como o Antonio David, também mestre nessa escola, João lobo Maia, conheci esse craque na guitarra e bom sujeito.

Se me lembro?!

Esquecer como – beber também – as nossas cachaças no antigo Parahyba Palace Hotel, centro da cidade, lá de cima, esperando que banda passasse para que fossemos a janela pedir para que uma guitarra elétrica também fizesse parte desse coro, tocada por esse artista recém-chegado lá das bandas do Rio de Janeiro?

Fase maravilhosa essa!  E sem nada dessa besteira cantada e falada do “éramos felizes e não sabíamos”, que tenho escutado por ai. O cara é o cão chupando manga quando pega a sua “arma sonora” e espalha graves e agudos como se plantasse notas no seu quintal de partituras.

FB_IMG_1581357523390Lembro do primeiro contato com esse artista pessoense. Ah, mais que isso, parahybano, brasileiro e do mundo. Faz tempo. Desse bom   parceiro do Xangai um dia ouvi a sua “Comeno cum coentro” – Mutirão da Vida, 1984 – pela primeira vez, e – verdade, verdade. – achei que ele poderia dar muito mais de sua arte. Achei pouco. Pra que mentir?

Ai vem veio com o seu “Deu o Caray” com tudo que tinha direito, lançado em 1995. Não irei entrar no mérito do artista, nem em sua banda. Nem poderia. Não sou músico, mas apenas um Malabarista de Palavras. Afinal só sei que foi assim. Ouvi o forró sincopado do seu “Deu o caray”, e fim de papo. Tudo no lugar certo. A guitarra era a sanfona de cordas nas mãos desse excelente sujeito e não menos excelente músico.

Anos depois, no baile das Muriçocas do Bessa,  esse que nada tem a  ver com Miramar, pois a história é outra, lá estava o bom Alex Madureiraacompanhado – ele quem o acompanhava, na verdade – desse ótimo carnavalesco das quase finadas muriçocas, Flávio Eduardo, o Mestre Fuba.

 

A verdade é que não se pode – ainda – dissociar o bom Fuba de suas Muriçocas. Não me canso de afirmar, que depois do amigo Livardo Alves é a referência carnavalesca desteFB_IMG_1581357543880 Estado infelizmente sem carnaval.  Um dia escrevi que o Alceu Valença está para Olinda, assim como Fuba está para o nosso melhor dos Carnavais. Se continuo escrevendo?  Ainda.

Um festa esse encontro. Estavam lá, como a Rosa e eu podemos comprovar, além dessas feras, Alex x Fuba, outras feras como Marcos Pires, o dono da Baratona do povo (nada de contradição), um bloco livre e independente que desfila pela nossa orla sem cordão de isolamento e ajuda oficial, Marcos Pires, Emerson e Sandra, Daniel e Rafaela e outros também estavam. Os “outros”, todos alegres foliões, por não serem rostos meus conhecidos não ficaram, mas fizeram a festa.

Para a Rosa e este MB, como vocês podem ver, sempre de olho nos confetes e serpentinas que espalhamos pelos alegres carnavais que passamos e ainda continuam bailando no ar, o carnaval começa dentro de nós. No lado de fora, nesse Baile onde a única coisa que destoava era o som, ninguém ouvia nada e se ouvia nada entendia, o carnaval foi feito.   Alex Madureira na Guitarra e Fuba “Sculambou”   e o Alex Madureira “Driblou a realidade”.FB_IMG_1581357558395

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