Anco Marcio e Carlos Aranha: a “prisão dos comunistas”!
carlos aranha antes da "imortalidade"

Anco Marcio e Carlos Aranha: a “prisão dos comunistas”!

“Eu Plural: os amigos estão cobrando mais coisas do saudoso anco márcio. mais. agora, não lhes disse, mas digo agora: como anco não mora mais aqui e veste outra roupa,  podem elogiar, fiquem à vontade!  se antes diziam ser o filho de seu severino e dona isaura um “convencido”,  com nada de criatividade e escrevia “muitas besteiras”, mesmo sabendo que por aqui e em alhures era ele conhecido e reconhecido como o melhor texto de humor da parahyba  e poeta e ator e jornalista e escritor e outros, mas  importância alguma davam aos seus escritos.  tudo bem.  passa. passam. eles. anco não.  ficou nessas histórias. achei essa bacaninha. sobretudo porque resgata um pouco das histórias dele e carlos aranha, essa outra boa referência por aqui. conto-a? não. transcrevo-a. apenas. – 1berto de almeida.”

 

Eu e Carlos Aranha

Por Anco Márcio – em 26/04/2010 às 00h00

Eu e Carlos Aranha éramos amicíssimos. Somos ainda hoje,mas nossa idade não nos permite mais as bebedeiras de antes.Mas juntos vivemos diversas aventuras.Uma delas foi na Barraca de Tibúrcio,ali na Vasco da Gama.A gente tava bebendo quando por volta das duas da manhã houve uma briga e a gente só fez olhar.

Até hoje não entendo como, pois não havia nenhum telefone público na cidade e celular era coisa de ficção científica. Mas alguém chamou a Rádio Patrulha e ela chegou.A turma da briga já tinha ido embora.Mas como eu e Aranha éramos hippies de barba grande,os homis cismaram com e gente e nos levaram pra ume espécie de Central de Polícia ali na Duque de Caxias.

Lá, fomos colocados numa cela nos fundos. Nela já tinha um playboy embriagado.E Aranha aperreando:

-Ai, meu Deus, que esses caras vão matar a gente…

Eu que tava mais embriagado e pra bebum tudo ta bom, consolava:

-Vão nada, Aranha…

-Vão, que eles devem saber que a gente é comunista…

-Sabem nada… Fica quieto…

Nisso o bebo estranho levantou-se e gritou:

-Meu pai vem me soltar dessa merda!

E, irado, tirou os sapatos de luxo e jogou na privada cheia de merda até a boca. Enfiou mesmo!!Aranha ainda disse:

-Pronto, e agora esse doido aqui…

E com medo do providencial doido, ficou quieto. Cochilamos e mais tarde chegou o pai do “doido” junto com um policial e levou ele,reclamando por causa dos sapatos jogados na merda.

-Eu num disse!Só ficou a gente… Vão levar a gente pro mato e matar…

Eu já tava menos bêbado e comecei a ficar com medo. Sentamos no chão com o catingão de merda no ambiente e ficamos calados.Ouvimos o barulho de chave e um policial(naquele tempo se chamava investigador) falou:

-O delegado quer falar com vocês dois…

Isso já era umas dez e mais da manha.

Subimos com o policial e contamos nossa história ao delegado. Dissemos que tinha sido um engano,mostramos documentos,carteira de estudante(a gente era bem jovem) e o delegado falou:

-Podem ir, mas vê como se comportam…

-Tá certo doutor…

Saímos apressados antes que ele se arrependesse e ele entregou nossas carteiras, eu nem contei porque na verdade eu não sabia quanto tinha. Na rua o sol bonito de uma manhã de domingo:

-Vamos beber mais, Aranha…?

-Tá doido?Vou pra casa…

E saiu em direção da Praça Dom Adauto onde morava. Eu peguei um ônibus e fui beber mais na barraca de Seu João na Praça Onze..

 

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