o aposentado e triste ladrão de bicicleta…
Toshio Takata,

o aposentado e triste ladrão de bicicleta…

Nada a ver com os meus poucos amigos aposentados. Ou seriam muitos? Não os contei. Ainda.  Mas entre esses não contados, sinto a tristeza que alguns carregam no bolso do peito. E entre esses não contados, ao deixarem o trabalho que exerceram com dignidade durante toda a vida – isso mesmo, toda a vida -, muitos prometem nunca mais ao local de trabalho retornar.Ladroes-de-Bicicletas  

 Saem magoados.  Sofrem pela falta de reconhecimento dos seus “patrões”.  Sentem que na despedida, eles, os patrões, parecem satisfeitos. Assim como se estivessem se livrando de “um peso”.  Eles então, pela vez deles, agora aposentados, magoados e tristes, desparecem da vista dos amigos que ficaram. Esses  que em breve terão o mesmo fim: a ingratidão, o “despejo”. 

 Tenho visto e sentido o acontecido nesses últimos anos. Eles saem e, como resposta a ingratidão sofrida (por que não uma “festa de despedida/agradecimento”?), fazem questão de não aparecer. Tudo para não ver aqueles que foram ingratos com ele. Pausa. Não estou ainda perto de ser mais um a sofrer  essa “ingratidão”. Mas, só um caso, nesse momento, gostaria de lembrar.

 No Japão, com o alto índice de criminalidade entre os idosos,  crimes  esses cometidos por pessoas com mais de 65 anos, Toshio Takata, de 69 anos, roubou uma bicicleta, foi até a delegacia mais próxima, e confessou: “Olha aqui, doutor! Eu roubei isso…

Por que Toshio fez isso? Simples: preso ele se sentiria mais seguro. Tinha mais: no centro de reabilitação em Hiroshima, dedicado à inserção social de ex-detentos, ele poderia “morar de graça” e comer três vezes por dia. Também “de graça”.

Houve outro motivo ainda mais triste para Toschio abrir mão de sua – dele – liberdade (essa é a tristeza maior): chegou à idade de se aposentar, e viu que não tinha dinheiro para sustentar o aposentado em que se tornaria. Assim, para “sobreviver”, mesmo sem liberdade, o velho se tornou um dos  “Ladrões de bicicletas”, mas um “ladrão” real, sofrido, muito diferente  daqueles poéticos “Ladrões de Bicicleta” do neorrealista filme italiano, do Vittorio de Sica.

Em Tempo: Toshio ficou “feliz”, pois o  seu “roubo” deu certo.  Foi condenado a um ano de prisão, em regime fechado.  Última pausa. Aos 62 anos, essa foi a sua primeira infração. Trocando em miúdos: um ano com “casa” para morar “de graça”, e alimentação por esse período, três vezes por dia, “de graça” também.

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