as histórias de silêncio que a minha mãe contava…

as histórias de silêncio que a minha mãe contava…

 

“A areia do deserto é para o viajante cansado a mesma coisa que a conversa incessante é para o amante do silêncio.”
– Provérbio persa

 

Hoje, enquanto a chuva caía lá fora e fazia aquele barulhozinho gostoso, a Rosa ensaiava os primeiros passos para uma breve e saudável caminhada, lembrei que a minha mãe gostava tanto do barulho da chuva quanto do silêncio silêncio umdas palavras. Um silêncio compartilhado. Todas as manhãs, fossem essas chuvosas ou não, costumávamos ficar um olhando para o tempo e outro ainda no ventre sem passado e presente ou futruro (ainda) a  conversar em silêncio.

 Nunca esqueço que não raras vezes esse silêncio era compartilhado, mesmo à distância, com os outros filhos que desse silêncio também gostavam e entendiam a sua linguagem. E como falávamos em silêncio! E como o silêncio falava!

 Tínhamos sempre muitas histórias para contar e outras tantas que somente em completo silêncio éramos capazes de entender. As palavras eram ditas na língua de um silêncio que somente as pessoas que se amam são capazes ler e entender. E nos líamos! E nos entendíamos!

 Um dia no seu silêncio maternal ela me contou que ouvia pássaros entoando canções silenciosas que somente os que tinham ouvidos abertos para a vida e  os sonhos (esses também ouvíamos) eram capazes de ouvir e compreender. E como ouvíamos! Comovíamos!   

Os olhos, esses os meus, se fechavam. E assim conduzidos pelo silêncio deles (os olhos falam!), passava horas ouvindo e assobiando em silêncio as canções que os silenciosos ouvidos da minha mãe guardavam.humberto-em-preto-e-branco-300x207 bom

Nesses dias o silêncio nosso não tinha nada de assombroso ou barulhento. Barulho nenhum! Não existia aquela cobrança da palavra tão comum entre os que não sabem ser silenciosos nem da importância de se aprender a linguagem do silêncio sabem. 

 Nesse silêncio regenerávamos os nossos neurônios, e conseguíamos encontrar novos espaços para guardar os mais diferentes tons de silêncio. O nosso campo se tornava hiper! Mas nada de “hiper campo” nós tínamos! Hipocampo!  Nesse nosso tudo cabia!

Nele, no hipocampo, existia sempre mais espaço para alimentar a nossa memória com o silêncio; nos ensinar mais sobre a vida, e alimentar as mais doces emoções que a vida silenciosa é capaz de produzir.

E como eram belos aqueles tempos em que conversávamos em silêncio! E os amantes desse se reuniam para compartilhar esses momentos em que as palavras respondiam presente quando desse silêncio abríamos mãos e bocas!

Ó que saudade que eu tenho do silêncio compartilhado da minha mãe!

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