As pessoas que nela vão passando acreditam nas coisas lá do céu…

As pessoas que nela vão passando acreditam nas coisas lá do céu…

Agora é a mãe quem passa com o filho pesando mais de vinte quilos – calculamos – na corcunda. O  filho, porém,  lhe parece uma pena.  Seria a  fé? Não sei. Talvez. A Rosa observa.  Fala baixinho: “A coluna vai sofrer!”.

 Mas  não fala em coluna se referindo aquela  que atravessou o país com o seu Cavaleiro da Esperança. Um cavaleiro que levava  a esperança para milhões de brasileiros que sonhavam como um país melhor que esse de hoje. A coluna.  Se referia a essa que sustenta o nosso  esqueleto. Era dessa que  falava

O pai, somente depois de alguns metros, não chegando a  cem, finalmente resolveu ser o “carregador” do filho. Nenhuma dúvida. Naquela idade o filho era um “espírito santo”. Tudo víamos. Tudo vemos. Ou quase tudo.

Dessa vez não vi.  Foi a Rosa, o dia amanhecendo, quem me contou o que viu em procissão. Uma turma de jovens“fazia a cabeça”.  Ou melhor: as cabeças.  Nem aí. Tragavam  – os jovens – um cigarro como se esse fosse o oxigênio que faltava aos seus pulmões. Não fumavam apenas. Vocês sabem. Puxavam a fumaça para dentro dos pulmões e a prendia por alguns segundos. Minuto. Talvez. Nos rostos aquela expressão conhecida nessa hora. Olhos fechados e os  indicadores e os polegares segurando o “back”. A puxada vinha em  seguida. Agora era só  esperar o “barato”.

 Os olhos meus, naquele momento, estavam agora só coruja fitando a presa. Era uma passante que vestida numa roupa que não consegui descrever o modelo, fitava o horizonte como se ali estivesse a sua santa devota. Mas adianto quer era uma túnica prateada, cobrindo o seu corpo dos pés à cabeça, folgada, que dançava sobre um corpo sem quaisquer pistas de academia.

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