Brasil é o único circo onde o palhaço é a própria plateia*.

Brasil é o único circo onde o palhaço é a própria plateia*.

E aí, cara, estás sabendo que hoje é o DIA DO PALHAÇO?

Sem palhaçada. Não fosse esse grito de alerta o dia teria passado sem graça e sem um só sorriso em homenagem aos palhaços que viveram – continuam vivendo – no meu Circo Jaguaribe.  Uma gargalhada. Isso!  Os palhaços verdadeiros merecem mais que um sorriso.  Gargalhadas! Gargalho pois para esses palhaços que levei a sério em minha engraçada – às vezes mesmo sem graça – vida. . Os meus.

Nos meus tempos de menino-jaguaribe os palhaços eram mais engraçados e verdadeiros. Eu sempre os levei a sério. Menino-jaguaribe nunca fiz diferença entre um palhaço que caía sem graça para muitos e aquele que se equilibrava na vida como poucos. Que chegasse de bicicleta e uma roda só ou correndo desengonçado para não perder o tempo da piada.  Eram sempre engraçados. Eram os meus palhaços.

Se eu tinha medo de palhaço? Não. Afinal de contas sempre vivi cercado deles e por muitos deles cercado por todos os lados. Uma ilha de graça! Não tinha nada que pagasse esses momentos. Os primeiros eram os meus queridos. Os segundo, os muitos, esses que ser arvoram a fazer graça da minha miséria e  graça neles eu nunca vejo.

Agora se tiver que escolher um palhaço que levei a sério por essa minha vida muitas vezes engraçada é o Carlitos. O personagem imortal do imortal Charles Chaplin não somente me fazia rir e pensar. Carlitos é um palhaço que  também fazia chorar.   Incrível o fato de o sujeito ir ao cinema-circo para chorar com um palhaço que tenta fazer graça e espalha lágrimas nos olhos de quem o assiste.

Confesso que nasci para ser palhaço. O sorriso não toma o tamanho da minha boca quando escuto os nossos palhaços de plantão. Acho que se os palhaços não existissem os circos não teriam sentido. Nem de graça nesses entraria.

Não é o trapezista que me deixa de boca aberta esperando – todos esperam, somos trágicos – o momento da queda. Mas o palhaço. O silêncio do palhaço no picadeiro deixa todo um circo triste. As bocas matam o sorriso e os olhos se espalham em pedaços somente tristeza.

Pelas estradas do mundo o vagabundo vai espalhando tristeza e sorrisos com a ternura de quem distribui rosas para o primeiro amor. Carlitos (Chaplin) é essência do circo que carrego armado na memória do menino.  Um palhaço que falou muitas vezes como um palhaço, mas jamais duvidou da sinceridade da plateia que sorria. E como sorri!

Termino um tanto triste como o meu Carlitos triste se foi um dia. Sou Carlitos sorriso e tristeza. Um palhaço. E, como bem disse ele um dia, sendo apenas um palhaço, já me coloca em nível bem mais alto do que o de qualquer político.

Salve o palhaço! Salvem os palhaços verdadeiros!

EM TEMPO: para todos os palhaços verdadeiros! Sem esquecer o meu Querrenca, hoje descansando no “Circo de Deus”

 

*Eziel Mingorance

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