Capitu era mais mulher do que muitos homens…homens!

Capitu era mais mulher do que muitos homens…homens!

Eu gosto de passear pela descrição espetacular de Capitu nada discreta.  Sem dúvidas. Machado de Assis é o nosso maior escritor. Embora, como não poderia deixar de ser, também sou fã do Graciliano Ramos. Sem dúvidas aquele escritor nordestino que melhor escreveu  (sic). Acho. Quem ? Ora, eu! Como ?! Escreveu?! Assim mesmo: escreveu.

Capitu. Eu gosto de seus  “olhos de cigana obliqua e dissimulada”. Se Bentinho tinha  inveja dela? Muita. Ciúme também. Muito.  Capitu era mais mulher do que ele homem. Tanto que ia mais fundo.  Profunda  nesse mar de inspiração. Acho – disse ele um dia –  que os olhos dela, de Capitu,  estavam mais para “olhos de ressaca”. Pura inveja.

Alguns colegas e colegas, esses homens e  outras mulheres, perguntaram-me algumas vezes se esses “olhos de ressaca” de Capitu  tinham algo a ver com os olhos deste Malabarista de Palavras nas manhãs de sábado com sol ou sem ele.  Nos  sábados  cheios de homens vazios. Nada a ver com o olhos dela. Mas com os meus.

Leio machado de Assis. Sempre. Sorrio com a sua – de Machado -descrição de Capitu. Uma  menina que aos 14 anos já era vista como “alta, forte e cheia (dá pra sentir o “cheia”?), apertada (dá pra sentir também?) em um vestido de chita, meio desbotado”.

Nem preciso mais da descrição do bruxo do Cosme Velho. Imagino como – se como? Comeria – seria a Capitu que deixou o Bentinho doido de jogar pedras e matar cavalos na rua…. Ou melhor: na rua  Matacavalos.

Os olhos de ressaca de Capitu arrastava qualquer um para as profundezas dos mares.  O mar? Era o que pouco importava. Mares: ”Uma força que arrastava pra dentro, com a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca”.

Nem precisei explicar aos colegas homens e colegas mulheres o porquê dos olhos de ressaca de Capitu. Bonita a descrição, não? Arrastava-se com a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca…

Acho sinceramente que Machado poderia ter enveredado mais pelo universo poético. Muita poesia em versos saia de sua cabeça em constante processo de criação. Sempre. E todos pedindo um poema onde descansar.

Pois é. Chovendo lá fora e eu aqui – sem ressaca –  sorrindo com os olhos de  ressaca de Capitu. Embriagando-me com essa inesquecível criação desse Bruxo que em tudo que tocava virava romance. Depois volto. A ressaca? Nenhuma. Nem os olhos!

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