Carnaval em Brasília: garis se juntam à bateria do Patubatê em bloco neste sábado

Carnaval em Brasília: garis se juntam à bateria do Patubatê em bloco neste sábado

SLU recolhe 10 toneladas de lixo nesta segunda após festas de réveillon .Eles costumam desfilar no carnaval de rua só depois que a folia acaba mas, desta vez, vai ser diferente. Os garis do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) do Distrito Federal vão participar de um bloco de carnaval de rua no papel principal, como integrantes da bateria.

Cerca de 20 homens e mulheres vestidos com os uniformes laranja vão compor o time de percussionistas do Bloco Sustentável do Patubatê, que desfila no Setor Comercial Sul às 14h deste sábado (10).

No cortejo, os carros de mão usados para coleta de lixo nas ruas – chamados lutocares – e a vassouras vão virar instrumento musical. Assim, os garis vão integrar a bateria do Patubatê, que organiza o bloquinho e faz música com instrumentos de material reciclado desde 1999.

“Esse é só o começo de uma parceria. É toda uma história que está se formando”, disse o músico e diretor artístico do grupo, Fred Magalhães. Segundo ele, a ação dá maior visibilidade ao trabalho dos garis e ajuda a melhorar a auto-estima deles.

“Também serve para alertar as pessoas sobre a importância da separação correta do lixo e como ajudar a melhorar a coleta.”

 

Vassoura musical

Há cerca de dois anos trabalhando como gari, Maria Cleia da Paz, de 44 anos, é uma das funcionárias da empresa Sustentare – contratada pelo SLU – que vai participar da bateria do Patubatê. Ao G1, ela disse estar ansiosa para a experiência.

“É uma oportunidade de fazer nosso trabalho e se divertir ao mesmo tempo”, disse ao G1. “O meu instrumento vai ser a vassoura, que é o que uso no trabalho. Vou trabalhando e vou dançando.”

“A expectativa está a mil. O que me pedirem pra fazer, eu faço.”

No ano passado, os garis também participam de um show de carnaval do Patubatê, mas como foliões. “Nós fizemos estandartes de material reciclado, fizemos corrente, andamos e dançamos pelo bloco. Desta vez, eles vão ser protagonistas.”

 

Para o SLU, a parceria é uma forma de valorizar o trabalho dos garis e sensibilizar os foliões sobre a necessidade de manter a cidade limpa. “Eles estão lá para recolher lixo da lixeira, e não, lixo jogado no chão”, disse o assessor de Gestão Ambiental, Rondinele Mota.

“É legal e honroso, porque é um trabalho duro e pesado que eles fazem. As pessoas estão se divertindo e eles vão atrás, limpando.”

A ação tem por base uma experiência bem sucedida em João Pessoa, na Paraíba. Em 2002, o Patubatê organizou oficinas de produção de instrumentos musicais com materiais recicláveis para garis da cidade e a experiência virou fonte de renda.

“A partir disso, eles criaram o grupo ‘Bate com lata’ e conseguem viver de música, fazer shows, ganhar cachê”, disse Fred Magalhães. Segundo ele, em Brasília, a ideia é formar um grupo dos garis em parceria com o Suvaco da Asa – bloco do qual o músico também é diretor artístico –, para fazer eventos ao longo do ano.

 

Som em tudo

A ressignificação de materiais é a alma do trabalho musical do Patubatê. “A gente tenta fazer a relação dos instrumentos convencionais com os não convencionais. Alguns, a gente até inventa”, explicou Magalhães.

“Nossa ideia é fazer ritmos brasileiros com batidas eletrônicas e perfomance. A gente trabalha com samba, maracatu, ijexá, coco, funk carioca.” Mesmo com tudo isso, o grupo ainda aumentou os recursos sonoros para o carnaval, com a inclusão de guitarra baiana, violão e voz.

 

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