VIRGÍNIUS NA UNIÃO, O PORTEIRO NO INFERNO E UMA IDÉIA QUE, DIFERENTE DA 51, EMBRIAGA MAS NÃO DÁ RESSACA!
Sou daqueles imprensados que podem bater no peito, dizer que tem histórias para contar e reconhecer a firma do que acabou de dizer. Ou escrever. Sou do tempo em que aos 15 ou 16
anos, começando a mexer nas teclas de uma velha remington, lá no alto do primeiro andar da velha A União, hoje, Assembléia Legislativa, o “menestrel” Virgínius da Gama e Melo escrevia as suas críticas para os provincianos jornais daqui e de Pernambuco. .
Naqueles cinzentos anos a disputa era acirrada. Se o Brasil estava resumido em pouco mais de noventa milhões, todos empurrados “pra frente”, sendo feito por “eles, e esse “eles” vocês sabem de quem se trata, o jornal A União e, claro, união, a verdadeira, estava sendo feita por nós. Estávamos, pois, todos amarrados e com um só objetivo: fazer o melhor jornal da Província das Acácias.
A arte fervia no caldeirão das ruas, esquinas e bares. No Caldinho do Gil, bem ali na descida do que nos acostumamos a chamar de viaduto, bem em frente do prédio das Nações Unidas, vez por outra, o inconformado – com justa razão - Geraldo Vandré, recém chegado da “Terras do Benvirá”, aportava para dividir com os poucos amigos o seu silêncio. Um silêncio que não fazia bem, porque era um silêncio sofrido. E, enquanto isso, na redação de A União, pelo menos para este escriba, Virgínius não passava de um sujeito todo de branco, sempre de branco, que gostava de tomar uns porres na velha Churrascaria Bambu.
A propósito, lembrando o Virgínius da Gama e Melo, foi numa noite daquelas, nos distantes anos sessenta, a cabeça já cheia de cachaça ou começo de mais uma noite que a cabeça de cachaça encheria, que por pura brincadeira ou sacanagem mais pura, ele chamou a obra de Jackson Ribeiro, ainda não conhecida mas já batizada de “O homem Astronauta”, de O Porteiro do Inferno, tornando, mais tarde, o apelido mais famoso que o nome de batismo.
Hoje, passados os anos, com o Porteiro abominado por muitos e querido por mais ainda, aqui ou no Inferno, leio por aí que uma idéia, simples idéia nascida da cabeça de uma das mais
leves representantes do povo pesosense, sem nenhuma pretensão, pois estive várias vezes com ela e constatei o fato, suscitou inúmeras e tristes interpretações, inclusive que a idéia era um atraso e, se não bastasse, o ponta pé inicial de um novo tempo de cesura.
A idéia? Simples. Uma obra de arte, fosse nossa ou de terras outras viesse, antes de sua exposição pública, seu autor fosse até aquela casa, isto, a nossa Câmara Municipal, apresentá-la aos representantes do povo da cidade onde a exposta seria a obra.
Sentiram? Nada de censura. Nada de saber as “intenções ocultas” do artista. A escultura, assim como a música, outra forma de arte, não se explica. Sente-se ou não. Mas , se possível explicar, tudo bem, pois, assim sendo feito, mais fácil será para que os representantes do povo possa esclarecer, educar artisticamente o povo, no sentido de valorizar ainda mais a obra exposta. É por aí.
Também não vejo nessa idéia, como muitos estão vendo e querendo que outros também assim vejam, um ato explícito de censura. Ora, meus amigos, vamos acabar com tanta hipocrisia. Não acho que autora da idéia esteja confundindo política com religião.
O inventor do excelente Cavaleiro Alado, o patoense Wilson Figueiredo, escultura erguida nas imediações do Centro de Tecnologia da Universidade Federal da Paraíba, embora não o conheça, também comunga com a idéia da vereadora Elisa Virgínia. Ela me disse. Não no
sentido de censurar para, depois, mediante a constatação da existência de qualquer intenção política, religiosa ou coisas outras que venham encontrar. Mas de explicar, contar a história do trabalho e do seu autor ao público, estimulando o seu – do público – gosto pela arte.
Agora, censura, essa que também morro de medo, no caso Elisa, só existe mesmo para que os pensantes recrudesçam as suas defesas. Em nenhum momento, pelo que ouvi da Elisa e nela acreditei, censura não houve na sua idéia. Embora, ressalto, ela defenda que as esculturas, em especial as classificadas no Concurso Jackson Ribeiro, assim como uma sinopse distribuída antes da exibição de um filme, seja a população esclarecida a respeito delas, sua significação e importância como obra-de-arte.
Acho mais que uma puta sacanagem, sacanagem e meia, alguns de nossos intelectuais e críticos de arte aproveitarem o espaço que a generosa imprensa lhes dá para atacar, servindo a uma causa que infelizmente não é apenas sua, mas, por coincidência, também do patrão, uma pessoa sem condições para responder as ofensas sofridas com a arte merecida.
As poucas vezes que estive com a vereadora, foram vezes suficientes para ver/sentir a inexistência de qualquer tipo de censura em seus atos e palavras. Relevo. Não aceito, assim, essa forma um tanto estúpida de criticar e meio a uma crítica um tanto estúpida puxar a brasa para uma sardinha que divide com o patrão.


