celular ligado por pensamento vai sobrar no mercado

celular ligado por pensamento vai sobrar no mercado

Entra ano e sai ano e o ser tão vil continua ao Deus dará. Entro e volto de férias, como está acontecendo agora, e tudo continua como no quartel de Abrantes. Um Abrantes corrupto e se locupletando com a promoção de parentes e aderentes. Não adianta ir pra cima dele com nepotismo e outras fantasias desse país do carnaval. Ele, Abrantes, quer e pode. Portanto, nada de soldados, todos promovidos a oficial de três estrelas pra cima.

Olho para o céu da minha janela e constato que se antes era tudo azul, agora, meio a tanta violência, parece avermelhar. Olho mais uma vez. Nem aviões de passageiros, nem de carreira. As únicas carreiras das quais hoje escuto falar estão espalhadas em bandejas de prata, sobre mesas imaculadamente cobertas, para saciarem a sede dos muitos narizes que ilustram as nossas colunas sociais.

Pois bem. Podem colocar as barbas sujas de molho, pois, sem as mãos de tesoura para cortar-lhes o voo (agora é assim, não?), nunca suas barbas pesadas de lama, estou voltando. Sem medo de me perder, uma vez que todas às vezes que parti voltei pelo mesmo caminho, lembro que continuo o mesmo. Nem croto nem ex-croto, apenas coiote com um olho voltado para lua e outro fixo na janela.

Acabei de assistir, mais uma vez, Estamos Todos Bem, aquele belo filme do Guiseppe Tornatore, diretor do mais belo ainda Cinema Paraíso, e também assistido mais de uma vez. Confesso que estou bem. A Parahyba de Heráclito de Almeida e Dona Chiquinha, porém, como a cantiga da perua, o cu do mundo, como costumava dizer o meu saudoso irmão Tota, apressado que trocou de roupa no final de um desses anos e foi morar noutra cidade, vai cada vez pior. Não lembro. Mas acho que antes dele partir, inconformado, lhe disse que se a Parahyba para ele (também senti) era isso, o cu do mundo, para este escriba apaixonado pelo seu estado era todo o seu corpo, e a sua capital o coração. Tudo bem. Não vou chamar a polícia. Nem, dessa vez, o ladrão.

Volto lembrando que os americanos – sempre eles! – acabaram de inventar o celular comandando por ondas cerebrais. Sem esquecer a Carla Perez, Sérgio Malandro e os irmãos Supla, lembro que a poluição mental vai acabar nos matando. Negócio simples: o sujeito coloca um fone de ouvido e esse, através de uma tecnologia conhecida por EGG – não confundir com E.C.C, ou seja, Encontro Casual Comigo -, aquela mesma empregada em eletroencefalograma, e ela, a mais avançada das mais avançadas das tecnologias, como diria aquele velho compositor baiano impedido pela idade de continuar rebolando, vai captar suas ondas cerebrais.

A verdade é que sem muito esforço as “privadas mentais” irão dar descarga. A coisa vai funcionar, segundo os seus inventores, mais ou menos assim: você pensa numa coisa e, somente com a “força do pensamento”, automaticamente, o celular faz a ligação com a coisa pensada. Trocando em miúdos: é preciso que se pense. Portanto, colegas, sendo assim, posso afirmar que desde já muitos estarão incapacitados de usufruir desse avanço tecnológico.

Volto a imaginar o silenciar barulhento (é isso que chamam de oxímoro?) das muitas mentes que, vivendo numa caverna parecida com aquela famosa do Platão, julgavam-se brilhantes. Fico a pensar no que, por exemplo, pensará nesse momento a Wanessa Camargo, Alexandre Frota, Sérgio Malandro, Ana Maria Braga, Xuxa, as duplas sertanejas, sem exceção, e tantos outros que estiveram, graças a Deus, longe das minhas merecidas férias.

E os comentaristas esportivos? E os colunistas sociais? Ah, deuses meus! E a Gretchen? E a menina da bunda de melancia? E a dos peitos de melão? E a das pernas de pepino? E a dos cérebros de papel crepom? Negócio seguinte: eles pensariam e os seus celulares se ligariam a coisa pensada. Agora imaginem só o odor que essa coisa pensada por eles iria exalar por aí afora…

O escriba, outro bom exemplo, que muitas vezes faz questão de não pensar em nada para não pensar naquela coisa, pois, segundo eles, esses ligados a coisa alguma, pensar causa uma dor feladaputa, estaria sempre ligado ao vazio dos olhos da Juliana Paes. Verdade, leitores, nunca vi outros mais vazios. E tão pidões…

Um celular que fosse ligado só com o pensamento, por incrível que possa parecer, seriam poucos os que pensariam em comprar o dito cujo. Usar o pensamento para se ligar em alguma coisa?! Seria uma masturbação. E por isso mesmo estariam com as mentes voltadas para aquela coisa. Nem pensar.

Compartilhar...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on Twitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*


9 + = dezessete

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>