Chico Alves hinos

Faz 100 anos da 1ª gravação eletrônica realizada no Brasil

Chico Alves é também o autor do Hino a João Pessoa, gravado 77 dias após o assassinato do político paraibano

O primeiro cantor brasileiro a fazer da música um instrumento comercial – ou fonte de popularidade e enriquecimento foi Francisco de Morais Alves, o Chico Alves, também conhecido como Francisco Alves ou Chico Viola. Por ser um dos artistas prediletos de Getúlio Vargas, ele também gravou o “Hino a João Pessoa”, em 17 de outubro de 1930, 77 dias após a morte do estadista que deu nome à então cidade de Parahyba do Norte.

Revelações assim também nos trazem a memória de que, na segunda quinzena de outubro de 2020, será comemorado o nonagésimo aniversário do Hino a João Pessoa, ainda hoje cantado nas escolas brasileiras. Este artista, que morreu de um acidente de carro numa rodovia do interior paulista, há 100 anos também gravou as marchas “Pé de Anjo” e “Fala Meu Louro”, esta última uma sátira a Ruy Barbosa, que perdeu a eleição presidencial para outro ilustre paraibano, Epitácio Pessoa.
Segundo afirma o musicólogo e advogado José Alves Cardoso, Chico Alves foi vítima de revezes do destino ao casar com Perpétua Guerra Tutóia, a Ceci, uma prostituta que conheceu num cabaré da Rua Joaquim Silva.
Chico Viola também se tornou dono da alcunha que o marcou como “reidavoz”e o“ídolodas crianças”. Até hoje é considerado o melhor cantor do país em sua época, pois teve a sorte de fazer a primeira gravação em disco elétrico no Brasil, isto em 1919, quando o país engatinhava no ramo da fonografia. Abstêmio, Alves andava bem penteado, limpo e cheirando a perfume. Apresentava-se, sempre, com o aspecto de quem acabava de sair de um banho. Era elegante e sorridente, como seu ídolo Vicente Celestino, de quem imitou o estilo de voz, no início de sua carreira.
O Jornal do Brasil registrou que “Ele era para o Brasil o que Maurice Chevalier representava para a França”. Quem primeiro notou que Alves teria grande futuro com sua voz, foi um filho da maestrina Chiquinha Gonzaga, que o apresentou ao compositor Sinhô. Chiquinha e seu filho es- tavam empenhados em instalar uma fábrica de discos. Era o ano de 1919, que marcou o início dos sucessos de Alves, com as gravações de “Pé de Anjo” e “Fala Meu Louro”, marcados com o selo “Popular”, da fábrica de Chiquinha Gonzaga.
Mesmo sendo um artista vocal que na maioria das vezes só obteve sucessos, Chico, segundo afirma o musicólogo e advogado José Alves Cardoso, o Dom Cardoso, foi vítima de revezes do destino ao casar com Perpétua Guerra Tutóia, a Ceci, uma prostituta que conheceu num caba- ré da Rua Joaquim Silva. “Foi uma paixão fulminante: a contragosto da família, Chico não mudou de ideia e levou a moça ao altar, depois de pedir-lhe solenemente a mão em casamento e tirá-la do âmbito de prostituição”. O enlace aconteceu no dia 24 de maio de 1920. A festa foi regada a “uma média” de pão, café e manteiga, distribuída com os poucos convidados.
Baseado em depoimentos do jornalista David Nasser, parceiro musical e amigo de Chico, D. Cardoso afirma que este casamento não durou uma semana. “Ele ficou magoado com a mulher que, sete dias após o casamento, revelou-lhe espontaneamente, não ter deixado a prostituição, por gostar da vida trepidante das mulheres de bordéis”. Apesar de tudo, o cantor nunca deu entrada num processo de desquite. Nesse ínterim, Ceci o injuriava nos depoimentos à imprensa e ao Judiciário. Chico conheceu novo amor ao ingressar na Companhia de Teatro Batista de Oliveira (Niterói-RJ). Ceci desapareceu de sua vida durante 30 anos.
Em 1921 Chico ca-
sou com a atriz Célia Zenatti. Com ela viveu 28 anos. Apesar de artista já consagrado, não abandonou a profissão de taxista. Em 1928, gravou diversos sambas e marchas pela Odeon, mas não alcançou bons resultados financeiros. Paralelamente, em 1928, segundo afirma o compositor Almirante, ele lançou suplementos musicais pela Parlophon. Na Odeon ele usava o nome de Francisco Alves. Na Parlo- phon, utilizava o apelido de Chico Viola. Quem não conhecia o dono dos pseudônimos, opinava que Chico Viola cantava melhor do que Fran- cisco Alves ou vice-versa. De 1928 a 1930 alcançou sucesso respeitável, gravando 24 músicas em dupla com Mário Reis, assim diz o historiador Ronaldo Conde Aguiar.
Ary Barorro, autor da canção “Aquarela do Brasil”
Alves desenvolveu o hábito de tocar violão aos oito anos, ao ganhar uma guitarra
da irmã, Ângela.

Até então, aos 19 anos, era motorista de táxi. A vocação para cantar lhe trouxe um valioso aliado, o violão, que dedilhava para acompanhar sua voz ora de barítono, ora de tenor. Impressionado com aquele jovem de maviosa voz, Sinhô ensinou-lhe as técnicas vocais, o que já havia feito antes com muitos artistas. Alves desenvolveu o hábito de tocar violão aos oito anos, ao ganhar uma guitarra da irmã, Ângela. Outra irmã, Lina,
viria a ser vedete conhecida, e se tornou bailarina de um teatro de revista e atriz
de telenovelas, adotando o pseudônimo de Nair Alves.

Em 1918, aos 20 anos de idade,
a sorte riu novamente para Alves. O
maestro Antonio Lago, pai do ator
Mário Lago, levou-o para o Pavilhão
Méier, onde cantou profissional-
mente, pela primeira vez, depois
no Circo Spinelli, conhecido local de shows artísticos. A epidemia da
gripe “Espanhola,” que atingiu o Rio
de Janeiro neste ano, matou o pai e o
irmão de Chico – respectivamente Juca
e o português José Alves. Nesse ínterim,
Chico dividia o tempo entre apresentações nos círculos da boemia carioca e a direção do táxi, sempre fixado em seu ídolo, Vicente Celestino.

A paixão fulminante por Perpétua Tutoia

O Jornal do Brasil registrou que “Ele era para o Brasil o que Maurice Chevalier representava para a França”. Quem primeiro notou que Alves teria grande futuro com sua voz, foi um filho da maestrina Chiquinha Gonzaga, que o apresentou ao compositor Sinhô. Chiquinha e seu filho es- tavam empenhados em instalar uma fábrica de discos. Era o ano de 1919, que marcou o início dos sucessos de Alves, com as gravações de “Pé de Anjo” e “Fala Meu Louro”, marcados com o selo “Popular”, da fábrica de Chiquinha Gonzaga.
Mesmo sendo um artista vocal que na maioria das vezes só obteve sucessos, Chico, segundo afirma o musicólogo e advogado José Alves Cardoso, o Dom Cardoso, foi vítima de revezes do destino ao casar com Perpétua Guerra Tutóia, a Ceci, uma prostituta que conheceu num caba- ré da Rua Joaquim Silva. “Foi uma paixão fulminante: a contragosto da família, Chico não mudou de ideia e levou a moça ao altar, depois de pedir-lhe sole- nemente a mão em casamento e tirá-la do âmbito de prostituição”. O enlace aconteceu no dia 24 de maio de 1920. A festa foi regada a “uma média” de pão, café e manteiga, distribuída com os poucos convidados.
Baseado em depoimentos do jornalista David Nasser, parceiro musical e amigo de Chico, D. Cardoso afirma que este casamento não durou uma semana. “Ele ficou magoado com a mulher que, sete dias após o casamento, revelou-lhe espontaneamente, não ter deixado a prostituição, por gostar da vida trepidante das mulheres de bordéis”. Apesar de tudo, o cantor nunca deu entrada num processo de desquite. Nesse ínterim, Ceci o injuriava nos depoimentos à imprensa e ao Judi- ciário. Chico conheceu novo amor ao ingressar na Companhia de Teatro Batista de Oliveira (Niterói-RJ). Ceci desapareceu de sua vida
durante 30 anos.
Em 1921 Chico casou com a atriz Célia Zenatti. Com ela viveu 28 anos. Apesar de artista já consagra- do, não abandonou a profissão de taxista. Em 1928, gravou diversos sambas e marchas pela Odeon, mas não alcançou bons resultados financeiros. Paralelamente, em 1928, segundo afirma o compositor Almirante, ele lançou suplementos musicais pela Parlophon. Na Odeon ele usava o nome de Francisco Alves. Na Parlophon, utilizava o apelido de Chico Viola. Quem não conhecia o dono dos pseudônimos, opinava que Chico Viola cantava melhor do que Francisco Alves ou vice-versa. De 1928 a 1930 alcançou sucesso respeitável, gravando 24 músicas em dupla com Mário Reis, assim diz o historiador Ronaldo Conde Aguiar.
Hilton Gouvêa

Compartilhar...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on Twitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*


6 − = três

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>