Confesso que senti…

Confesso que senti…

Não sei se acontece ou já aconteceu com um dos meus dois leitores. Pois é, comigo acontece quase todos os dias. E se digo “quase” é  porque não são todos os dias que alivio a barriga em casa. Muitas vezes nem fora.Tudo bem contigo? Ótimo. Só que tem dias que cansado de ler e ver e ouvir tanta na merda por aí, essa eu recolho sem querer. Mas não acontece de todos os dias fazer do meu banheiro uma “sala de leitura”. E olhem que não ando por aí lendo merda, por exemplo, como os livros de Paulo Coelho que, mesmo escrevendo tanta merda, vende mais que o Shakespeare e conseguiu se “imortalizar” com as merdas que escreve. E se não bastasse, ficou milionário vendendo a merda escrita. 

Mas como dizia no começo dessas mal-traçadas, vez em quando – de quando em vez, se assim quiserem – sou um leitor de banheiro. Não é sina, mas uma  necessidade. A pressa dos nossos negócios me leva a isso: não perder a oportunidade de  colocar os meus livros em dia. Afinal, escrevi noutro momento, assim como muito bem disse o Humphrey Bogart que  a “humanidade está três uísques atrasada”, em se tratando de livros estou sempre atrasado cinco ou dez livros na vida. 

Mas e o Jaguaribe? Confessas que sentiste o quê?

Lendo no meu banheiro, essa minha também “sala de leitura”, o seu divertido e bebido com a sede de anteontem “Confesso que Bebi –  Memórias de um amnésico alcoólico”, senti que além de excelente chargista e cartunista e ilustrador e outros istas por aí, Jaguar também é um cronista arretado de bom.  As expressões usadas na sua escrita bem que mereciam um estudo à parte. Assim como outros inventores do Pasquim, Jaguar escreve como se estivesse batendo papo com um companheiro numa mesa de bar. Tem mais: não procura em nenhum momento apelar para uma erudição hoje tão comum aos nossos cronistas. Afinal, nunca conheci o bom chargista e desenhista e ilustrador Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe como um sujeito erudito, o mesmo Jaguar que de  batismo leva em seu nome o meu Jaguaribe, esse que não tenho no nome, mas carrego na alma e no corpo feito tatuagem invisível para os olhos.

Confesso que bebi, um  livrinho de belo formato, foi lançado ainda no distante ano de 2001. Fazendo as contas, mesmo não sendo preciso, pois vocês já fizeram e sabem de matemática mais  do que o Einstein, são dezenove anos dessa gostosa confissão do Jaguar, um passeio gastronômico pelas cidade do Rio de Janeiro. É o assunto da confissão.

Outro dia, passeando pelo Rio de Janeiro no mês de Dezembro, por aí, ainda pensei em fazer o roteiro, sem os seus costumeiros e famosos porres, por seus – do Jaguar –  bares e restaurantes, só para fazer de conta que um dia esse roteiro fizemos juntos. Seria uma espécie de homenagem aos bares de sua confissão. Agora, vejam que gostosura de crônica do Jaguar, no seu Confesso que bebi:

- “Depois de cassar e caçar os fumantes, a fúria dos governantes se volta pra os que gostam de tomar uma cervejinha com Steinhager e um Underberg para rebater, sem serem aporrinhados.  Tá feia a coisa para nós, da turma do funil, neste começo de século. Em são Paulo o falecido Pitta, dando uma de aiatolá, obrigou os bares a fecharem as portas a uma da madrugada. Caceta, a única coisa que eu curtia em São Paulo era a vida noturna. Não consigo imaginar os botecos do Bexiga fechando na hora em que os profissionais vão chegando. Os amadores, depois da terceira dose, apagam e aprontam confusão.  E vão, aos trancos e barrancos, dormir cedo não sem antes dar uma porrada na mulher e um chute no cachorro!” . E assim segue o amnésico lembrando os seus porres e escrevendo gostosas histórias dos bares cariocas.

Pronto, puxo a descarga, lavo as mãos, bato a porta e peço um tira-gosto.

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