CORTARAM-ME A ESPERANÇA!

CORTARAM-ME A ESPERANÇA!

NÃO ACHO QUE  dessa vez a memoria traidora sorrirá de mim. Dois dia antes. Foram.  Não mais que isso. Passava por ali e de soslaio olhava – sem o menor interesse – as “mariposas em vorta da lâmpida”.  Lembraram também ? Isso mesmo. O bom Adoniram Barbosa. Mas neste  caso a “lâmpida” era o NASCIA UMA ESPERANÇAnosso velho e hoje inútil Pavilhão do Chá. Inútil. Infelizmente.

Mas não era apenas ele que tomava conta dessa luz que passa por essas janelas da minha alma. Pausa. Só poesia. Jogo de cena. Janelas da alma. Não acredito em alma nem espírito. E não tentem me convencer. Por favor.  A esperança!  Vi com esses olhos que a terra um dia irá… admirar. O porquê da admiração? Explico: através deles tudo nela fora visto. Ou quase tudo.

Lá estava ela – a esperança – verdinha como uma nota americana.  A família era outra. Todos percebiam. Estava ali apenas como um quadro vivo a embelezar uma natureza morta. Um tronco é triste. E morto mais triste ainda. E esse era um tronco e estava morto. Mas não estranhei a sua – do tronco – morte. Os nossos prefeitos e governadores tem essa tendência arvorecida. Estou acostumado. Estamos. 

Eles são mesmo uma peste. Uma doença ruim. Incurável. Morreu uma árvore e  o enterro é rápido como coceira de cachorro. Às vezes mesmo de coelho. Nenhum sentimento verde eles tem. São maduros nessa arte. Arvore somente serve para espalhar folhas ao vento e dar trabalho aos nosso pobres e mal pagos garis. Uma árvore a menos nunca é demais. O óbvio e verdejante.

Mas apesar do velho e feio – existem troncos bonitos –tronco a esperança ainda existia. Estava lá aproveitando a brisa que chegava sem o inesperado da surpresa. Aquele da canção. Foi aí que tive o estalo: não se tornará adulta. Eles não gostam que a esperança do povo dure muito. Pra que esperança para um povo que vive em desespero terminal? Seria apenas prolongar o sofrimento. Nada de verde que não seja aquele que um dia foi sinônimo de tortura.esperança cortada

Pensado assim armei o olhar e disparei.  Capturei – ainda vivinha!  – antes que aquela esperança viesse a morrer pelas mãos dos nossos arvorecidas administradores. Acertei na mosca! Mesmo que essa não merecesse. Nada tivesse a ver nem a voar com esse crime. Não se passaram dois dias. Vocês podem ver. Mais ainda: se quiserem servir de testemunhas eu aceito.

O meu olhar triste mais ainda ficou. Restou o tronco. Resto.  Mais uma vítima.  Morto e insepulto ele estava ali.  A esperança se foi. Ele ficou mais triste ainda. Mais morto ainda. Eu? Nada pude fazer. Nem posso. Chorar? Também não. Mas  de uma coisa vocês podem ter certeza: o meu quintal ganhou mais uma árvore.

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