Dalva 2

Cardoso Dom

Dalva de Oliveira, a rainha da voz

Dalva nasceu Vicentina de Paula Oliveira, popularmente conhecida como Dalva de Oliveira. Nasceu no dia 5 de maio de 1917, na cidade de Rio Claro, no Estado de São Paulo. Faleceu no dia 5 de agosto de 1972, vítima de uma hemorragia interna causada por um câncer no esôfago. Seu corpo está enterrado no Cemitério Jardim da Saudade, na Cidade do Rio de Janeiro.

Dalva de Oliveira foi a mais completa cantora brasileira de todos os tempos. Consagrada cantora brasileira, de ascendência portuguesa, sendo considerada uma das mais importantes cantoras do Brasil, e dona de uma voz poderosa, marcando época como intérprete. Nenhuma outra cantora brasileira antes ou depois dela atingiu o ápice do canto popular, tornando-se o rouxinol do Brasil. Impossível falar de Dalva de Oliveira e não mencionar o nome Herivelto Martins. E não apenas porque os dois protagonizaram um inesquecível barraco, mas porque, tirando a voz e o canto, tudo o mais foi ele quem ensinou a ela.

Herivelto ensinou-a a se vestir, mostrou-lhe como devia postar-se no palco, como olhar e dirigir-se à plateia – e, sobretudo, deu-lhe um repertório tão vasto como fabuloso, que incluía pérolas como “Ave-Maria no morro” e “Segredo”. Sim, Herivelto Martins, mais que um marido, modelou Dalva de Oliveira, dando-lhe um figurino que a levou à condição de grande diva da música brasileira – a Estrela Dalva do Brasil. Não ensinou a cantar, nem precisava, porque Dalva de Oliveira já nasceu uma cantora de invejável talento.

Dalva de Oliveira veio de uma família humilde da cidade de Rio Claro, interior de São Paulo, era filha de um carpinteiro mulato chamado Mário de Paula Oliveira, conhecido como Mário Carioca, e sua mãe uma portuguesa, chamava-se Alice do Espirito Santo Oliveira e fazia salgadinhos e doces para vender e assim ajudar no orçamento familiar.

Seu pai, um mulato festeiro, era marceneiro da Companhia Paulista de Trens e tocador de clarinete. Ele costumava realizar serenatas com amigos músicos, tendo inclusive organizado um conjunto para se apresentar em festas. Além de Vicentina (Dalva) o casal tiveram outras três filhas: Nair, Margarida e Lila. O único filho homem do casal nasceu com problemas de saúde e morreu ainda criança.

Desde cedo Dalva amargou uma infância de poucos brinquedos, embora com muita música. Ela acompanhava o pai nas serenatas, que ficava orgulhoso de ver e ouvir a menina, no alto de um banquinho, cantar como se fosse adulta. Dalva era, por assim dizer, o filho homem – que se chamaria Vicente – que seu Mário Carioca sonhava ter. Foi ele quem ensinou e estimulou a menina a dar bicadas no seu copo de cachaça. Quando Dalva tinha 8 anos, a família sofreu um duro golpe: a morte de Mário Carioca.

Apesar da perda e da tristeza, dona Alice resolveu se mudar para a capital paulista, onde arrumou emprego de governanta na residência de um paulista. As filhas foram para um colégio de irmãs de caridade, o Internato Tamandaré, onde Dalva teve aulas de piano, órgão e dança. A menina permaneceu interna por três anos, mas foi obrigada a sair devido a uma séria infecção nos olhos, que quase a deixou cega. Já em 1935, Dalva se mudou com a família para o Rio de Janeiro, em busca de uma vida melhor. Dalva frequentava o Cine Pátria, onde conheceu seu primeiro namorado, Herivelto Martins, que formava ao lado de Francisco Sena o dueto ‘Preto e Branco’; foi terminado o dueto e nascia o Trio de Ouro. Iniciaram um namoro e, em 1936, com um ano de namoro, Dalva protagonizou um escândalo familiar, pois saiu de casa solteira para viver com o namorado, ainda oficialmente casado: os dois alugaram uma casa e iniciaram uma convivência conjugal.

Herivelto Martins ainda era casado no civil com sua ex-esposa, e a união deles só pôde ser regularizada em 1937, quando saiu o desquite dele. O matrimônio foi realizado somente no cartório, e comemorado em um ritual de umbanda, na praia, já que esta era a religião de Herivelto, embora Dalva fosse católica. A união gerou dois filhos: o cantor Peri de Oliveira Martins, o Pery Ribeiro, e Ubiratan Oliveira Martins.

A união durou até 1947, quando as constantes brigas, traições, crises violentas de ciúmes e humilhações por parte de Herivelto deram fim ao casamento. Matérias mentirosas que difamavam a moral de Dalva, alegando que ela traía o marido e participava de festas imorais, foram publicadas por Herivelto, com a ajuda do jornalista David Nasser no Diário da Noite e na Revista o Cruzeiro. Por ser cantora, sempre era apontada como detentora de moral duvidosa, e sua profissão pesou nas acusações mentirosas.

Estes escândalos forjados fizeram com que o conselho tutelar mandasse Peri e Ubiratan para um internato, alegando que a mãe não possuía uma boa conduta moral para criar os filhos, o que a fez entrar em desespero e depressão, aumentando as brigas entre o ex-casal. Os meninos só podiam visitar os pais em datas festivas e fins de semana, e só poderiam sair de lá definitivamente com dezoito anos. Dalva lutou muito pela guarda dos filhos e sofreu bastante por isso. Em 1949, Dalva e Herivelto oficializaram a separação, se desquitando, já que a lei do divórcio ainda não existia no Brasil.

Em 1952, depois de se consagrar mais uma vez na música mundial e eleita “Rainha do Rádio” de 1951, Dalva de Oliveira resolve excursionar pela Argentina, para conhecer o país e cantar em Buenos Aires. Nessa ocasião, conhece Tito Clemente, que se torna primeiro seu amigo, depois seu empresário e, mais tarde, seu segundo marido, quando Dalva se mudou para Buenos Aires, indo morar na casa de Tito, antes da união oficial.

Dalva não queria mais ter filhos por conta de sua carreira, que tomava muito seu tempo, mas sempre quis ter uma menina. Por isto, adotou uma criança em um orfanato de Buenos Aires e a batizou de Dalva Lúcia Oliveira Clemente. Dalva e Tito, após dois anos morando juntos, casaram-se oficialmente em cartório na Argentina e viveram juntos por alguns anos.

No começo, a união era feliz e estável, e criavam a filha com muito amor e dedicação. Após alguns anos de casamento, o casal passou a viver brigando, também por conta da carreira de Dalva, que vivia viajando, e de seus filhos, a quem constantemente visitava no Brasil. Isso desagradava o marido, que queria que ela deixasse para trás sua carreira e seu passado no Brasil para viver, exclusivamente, para ele e para a criação da filha, mas Dalva jamais aceitou esta imposição.

Dalva também era uma mulher simples e querida por todos, fazendo amizade com facilidade, mas Tito queria uma mulher fina e cheia de requintes, sempre pronta para atender a todos em cima do salto. Essa grande diferença de temperamentos, que culminou em muitas brigas e humilhações, pôs fim à união do casal no início dos anos 60.

Dalva de Oliveira era uma das grandes estrelas da música brasileira. O Rouxinol do Brasil, como era conhecida, cantou o amor e a dor da solidão. Interpretou canções que, em cada verso, refletiam a intensidade de seus sentimentos. Em cada melodia, as coisas simples da vida ganhavam uma dimensão maior na interpretação de Dalva, a “Estrela do Brasil”

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