De conversa em conversa a gente acaba se desentendendo

De conversa em conversa a gente acaba se desentendendo

# – manhãzinha. Bem manhãzinha mesmo.  Amanheço com uma sexta branca. Tudo é branco numa sexta feira em que acordamos cheio de boa vontade. Bem-vindos aos homens de boa vontade! ah, isso eu tenho. Não tenho é ingratidão. Pausa. Notem que costumo falar da ingratidão, mas nunca, porém, dos ingratos. Esses não merecem o nosso ódio. A indiferença. Apenas.

# –  não adianta perguntar aos sacripantas “onde está o dinheiro?” que eles sempre responderão que o “gato comeu”. Mas estão enganados quando pensam – muitos nem pensam –  que ninguém viu. Todos vimos. Pior. Todos viram e nada fizeram. Nem nós, pobres mortais, que pagamos as suas meninas de programas e suas “cheiradas” em festas onde o dólar é usado como canudo. Biltres.

# – alguns títulos de livros, se não pagam o dinheiro que damos por eles, nos deixam com aquela sensação de que a metade já foi. Se título vende? Nenhuma dúvida. Isso tanto faz no cinema quanto na literatura. Uns no cinema, porém, ainda sem essa dúvida, são por demais apelativos. Mas em se tratando da “coisa escrita”, sem apelação, são muitos. Eu, por exemplo, acho arretado o título “Amor é tudo que dissemos que não era“, de Charles Bukowski. Também gosto muito de “A peculiar tristeza guardada num bolo de limão“, de Aimée Bender.

# –  nunca mais fui ao teatro. Cinema? Mesmo sabendo que alguns filmes pedem a tela grande, estou conformado com a tela “mais ou menos” que tenho no meu quarto de dormir. Pausa.  Nada tem de cinema esse meu quarto.  Tem mesmo muitos filmes ainda não escritos e mais ainda vividos. No final, como era esperado, a gente acaba dormindo. E quem sabe sonhando.

#- vem mais presídios por aí. Pausa.  Triste de um pais que pensa mais na construção de presídios do que em escolas. Assim como triste também é um pais que precisa desses heróis que despontam por ai. Todos com os pés de barro e os respectivos monossílabos cheios de hemorroidas. Triste? Tristíssimo.

# –  o pais ainda está no ritmo de ensaio de escola de samba.  A eleição passou. Os “ungidos” foram diplomais e empossados. Os sorrisos se tornaram mais largos em seus rostos.  As promessas, sem esse S, foram esquecidas. Agora veio Brumadinho. Os “urubus” pousaram no Ninho do meu Flamengo. Triste. Ficasse na sorte do nosso angustiado poeta.  Ali pousado. Mas tudo bem.  Estão esperando apenas o carnaval passar. Chegar?  Isso não. Há muito que vivemos um eterno carnaval.

# –  o problema não é a falta de bom-humor desse povo.  Mas os muitos desse mesmo povo que são eternos mal humorados.  Nenhum sorriso nas entrelinhas. Nenhum também, por mais que se esforcem, no ponto final.  Ainda piores aquele que vivem de “indiretas” nas “redes sociais”, porque nunca tiveram na vida uma só direção. São personagens a procura de um autor. Nada mais do que isso.

Em tempo: encosto o  meu divã.

 

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