Dias assim nada tem a ver – nem ouvir – com quem partiu ou morreu!
"canta e me encanta o teu canto no canto de tão belas flores..."(cantar sabiá)

Dias assim nada tem a ver – nem ouvir – com quem partiu ou morreu!

Nada de tem dias que a gente se sente como partiu ou morreu. Hoje não.  Hoje mais que nunca irei partir.  Morrer? Ah, isso é outra coisa. Mas, por favor, agora não.   E Ele, com certeza, me poupará desse vexame de morrer tão novo!

Tenho ainda dias.  E noites. Muitos. Muitas. Meses. Anos. Décadas? Talvez. Mas não me interessa o quanto ainda me falta para pagar a conta do bar e pegar o chapéu branco que deixei na cadeira.  Nada de dias assim meio burqueanos. Hoje não! Dias como aquele que um dia falou o Chico Buarque na sua Roda Viva.

O dia amanheceu que só vendo – e sentindo – para crer! Pelo menos por aqui. Ah, especialmente no meu quintal. Posso? Tudo bem: melhor ainda dentro de mim. Uma beleza! Tão belo que os pássaros afinaram os seus cantos. Senti.  Um coro que só ouvindo para… Ouvir mais ainda!

Mas nada de sinfonia de pardais! Todo o respeito aos pardais. Afinal, são pássaros! Mas o poeta que imaginou ser uma “sinfonia de pardais” um show apresentável para os nossos ouvidos, sobretudo os meus, estava enganado. Continua. Pardais não cantam, gritam!

Aqui no meu quintal, pelo menos hoje, um só pardal apareceu. Sabiás e sanhaços. Esses responderam presente. Cantando. Epa! La vem um gavião malvado! Passou! Os pardais? Sentiram que, embora desafinados, apesar dos bons e pequenos corações, o momento não era deles.  Não é!

O sol?!  Esse só faz espiar com os seus olhos de fogo.  Um sol maior caindo em si! Nenhum barulho. Somente eles, os meus pássaros, fazendo a festa nos galhos da aceroleira.  Cereja-das-antilhas. Essa simpática arvorezinha enfeitadas pela natureza com frutinhas vermelhinhas como as bandeiras de açougue que no meu bairro mostravam que a “carne era forte”!

O dia! Ah, duvido que outra manhã desperte mais bonita! Nunca! Os dias, assim como os homens, nunca são iguais! Dias assim são como os rios que passam e não voltam mais! Dias de rio? Não!  Dias de risos! Confesso: rio em dias assim!

Cantam os pássaros. Passarão? Não. Todos passarinhos! Eles cantam.  Somente os pardais conversam. E aos gritos.  Fico com eles. Os gritos não, com o canto dos pássaros entre o vermelho e o verde das minhas aceroleiras!

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