E gritaram lá de cima: lá vem o Moraes Moreira, com a Preta Pretinha, subindo a ladeira!

E gritaram lá de cima: lá vem o Moraes Moreira, com a Preta Pretinha, subindo a ladeira!

Nessa minha nada tão forçado assim quarentena, pois, apesar do medo do senhor Corona, temos sabido muito bem aproveitar, eu e a Rosa, a notícia da troca de roupa e mudança para outra cidade do bom baiano Moraes Moreira, que muito alegrou com a sua Preta Pretinha e outras a nossa Juventude, em especial a minha e do meu bom irmão Dapenha, doeu, confesso que doeu. Senti.

Moraes Moreira, muito bem acompanhado dos outros bons e Novos Baianos, era aquele que animava as nossas noites nada insones, em noites praieiras e urbanas. Lembro como as noites eram bem-vindas! Nos pegavam sempre acordados, porque queríamos ver o dia nascer ao som de Preta Pretinha!

O ano, o inesquecível ano era o de 1972, o mesmo do lançamento do Acabou Chorare, nome – um dos melhores da história da nossa MPB –  do LP (CD nem pensar!) que nos trouxe a Preta Pretinha. Uma composição de melodia e harmonia simples. Apenas dois acordes.  E pode tocar a barca!preta pretinha dois

A letra do Galvão, também é muito simples.  Ele conta que nasceu numa travessia entre Niterói e Botafogo. Numa barca. Fosse pela Ponte a letra não teria sentido. Foi numa barca, como não poderia deixar de ser.  Uma letra simples que casou muito bem com a harmonia. E vice e versos.  Os arranjos são do excelente guitarrista Pepeu Gomes. Ah, como o meu bom irmão Dapenha se refestelava nesses dois simples acordes! Era tome Preta Pretinha, sem esquecer de tomar aquela cerveja geladinha, com gosto de juventude, por toda a noite!   Anos depois, ele adotaria Ji-Paraná como a sua segunda “terra natal”, e por essa era adotado.

Se a música na primeira gravação (seis minutos e quarenta segundos) era comprida – e gostosa, por que não? – como um dia de segunda-feira, com Dapenha cantando, fazendo-a muito maior do que realmente era, ganhava do Bolero do Ravel.

E como vivíamos nessa Barca! E como nela navegamos sem essa de “eu era feliz e sabia ou não”. O bom mesmo era viver sem a preocupação em saber o que era felicidade, e se naquele momento éramos felizes. Talvez, por isso mesmo talvez, ser uma felicidade que não precisava ser definida, essa pegava a barca com a gente.

E assim, enquanto o tempo corria, eu ia ou ele vinha me chamar. Era a hora de pegar a barca. E pegávamos! E   navegamos nela por muitos mares desta vida, sem medo de que uma onda mais forte nos jogasse no mar. Nenhum. Tínhamos um porto seguro. E lá, nesse porto, nos esperavam o Compadre Heráclito e Dona Chiquinha!dapenha olhando o mar dois

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