E o Beto Bom de Papo morreu na BR 230…

E o Beto Bom de Papo morreu na BR 230…

Sabem uma mania entre as muitas que eu tenho? Mas nada a ver com as manias do Flávio Cavalcanti ou de quem as vendeu para ele. Mania mesmo. Uma que não consta na lista dele, isto é, do Flávio ou de que as escreveu para ele. A mania? Conto.

Todas as manhãs este Malabarista de Palavras abre o espaço internético do seu – no caso, meu. – computador do tamanho do seu – vocês sabem. – desejo, e ler as notícias que nele estão espalhadas. Tudo sem antes correr para o universo literário e poético que lhe faz um bem da gota serena. Se os mais próximos disso sabem, os mais distantes estão sabendo agora. Essa é a minha mania.

 Hoje, uma vez que ontem estava em casa e em particular na minha ilha cercada de livros e discos e filmes por todos os lados, essa já famosa entre um beco e outro da casa em que estava e agora estou, abrindo o “espaço feicibuqui”, me deparo com essa triste notícia, espalhada no espaço do Compadre Fábio Mozart, esse Leão que somente sai da Toca para poder voltar depois, como naquela canção do Gilberto Gil:  

- “Beto Palhano foi atropelado e morto, enquanto pedalava a sua bicicleta”.

 Confesso: sei andar muito bem de bicicleta. Aprendi ainda menino-Jaguaribe. Morava na bela casa-maternidade em que nasci, na Rua 12 de Outubro, número 950. Uma casa que ainda hoje mora dentro de mim. E andar de bicicleta, vocês sabem, é como a história do sutiã da menininha. Andando uma vez, a gente nunca esquece. Repito: se o Belchior tinha medo de andar de avião, sem medo de estar enganado, confesso o meu medo de andar de bicicleta.

Mas voltando ao nosso Beto Palhano, lembro que era um bom sujeito que assumiu ser “radialista” e, por mostrar que sabia o que assumia, dava conta do recado. Triste a notícia, repito.  Beto foi atropelado e morto enquanto pedalava a sua bicicleta – não suporto os apelidos “magrela, bici, bike” e outras lerdas – em nossa BR 230.   

Não conheci – ou teria conhecido e a memória hoje não tão rápida como o dedo no gatilho de Django esteja falhando?  – Beto Palhano. Às vezes e somente às vezes, uma vez que a pressa dos nossos negócios quase sempre nos atrasa, ouvia o Beto trocando informações e informações nos passando ao lado dos bons Fábio Mozart e Dalmo de Oliveira, no programa ”Alô comunidade! ”, aos sábados, transmitido pela Rádio Tabajara.

O nome de Beto nunca me foi estranho. Tudo porque, por um bom tempo, saí do meu Jaguaribe para “hibernar” um tempo outro, esse também bom, por aquelas bandas “giselianas”, do Geisel. “Giseilianas” é feio? Tô sabendo. Mas é que costumo – e gosto! –  tornar mais feios ainda os nomes que não gosto. E Beto Palhano, nascido em Cabedelo, leio em Fábio Mozart, morava praquelas bandas onde deixei bons e saudosos amigos peladeiros e fora dessas. Falo das boas pelada nos campos do Cruzeiro e Gerôncio (ou seria Jerôncio?).

Agora, nessa manhã de segunda-feira um tanto feia, assim como tantas, por isso nunca achei que essas merecessem ser vizinhas de um dia de domingo, leio que Beto se foi enquanto deixava bicicletava (sic) pela BR. Pausa. Lembrei:  “A gente morre na BR…230”…

 Nãos sei como se deu o fato. Se é fácil imaginar? Não. Difícil. Muito.   Não sei se Beto usava a faixa própria – a verdade é que não temos nada! – dos ciclistas ou estava na contramão da história do atropelador.  Não me interessa. Nãos nos interessa.

O interessante mesmo seria se Beto, assim de repente ou mais que de repente, como diria o poeta que fazia belos gols poético na vida, mas morreu na banheira, aparecesse nos dizendo que tudo não passava de uma pegadinha. Um primeiro de abril.

Mas segues a tua vida, Beto. Por aqui seguiremos as nossas. A tua eterna e as nossas breves. E façamos de conta que foi isso mesmo: uma pegadinha.

 Vamos começar a gravar?  No ar, estás no ar Beto! Voa!

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