é que de repente senti uma saudade danada  de mim…

é que de repente senti uma saudade danada de mim…

Assim como o meu irmão e editor deste espaço plural, 1berto de Almeida, como também assim ele gosta de assinar, sou fã do poeta Mario Quintana. Ele, porém, esse irmão, mais do que eu. Mas, apesar do fato, isso não me impede de espalhar, no seu Plural espaço,  algumas lembranças poéticas que eu guardo desse poeta gaucho.

Agora, por exemplo, nesse exato instante, longe, muito longe estou da terra onde comecei a dar os meus primeiros passos ensinados pelo meu inesquecível compadre Heráclito e a não menos inesquecível dona Chiquinha. Esses, vocês sabem, são – nada de foram – os pais e amigos deste parahybano de boa cepa (pra quê modéstia nessa altura da vida?).

Mas, lembrando o que esse sujeito plural escreveu um dia, depois de quase quatro décadas morando e vivendo por aqui, virei  quase um paranaense de  corpo e alma. Hoje, porém,  voltando a este espaço, confesso que senti uma saudade danada de mim. E assim, falando em saudade, lembrei-me do poeta-menino de aquário:

“A saudade que dói mais fundo e irremediavelmente é a saudade que temos de nós.” – Mario Quintana

E não é que o poeta tem sempre razão?joao-pessoa-mar

Sei não. Sei não. Verdade. Sei não mesmo! Mas em termos de saudades e lembranças, essas duas em especial, os poetas sempre tem razão. Esses são capazes de transformar em palavras tudo aquilo que a gente sente, sabe que está sentindo, mas poeticamente ou não é incapaz de  transformar em palavras visíveis para esses olhos que veem para fora.

Há também, esse da minha terra, um poeta popular muito famoso por lá e que merecia, por ser o poeta que foi, ser famoso por aqui também, que numa rapidez inesperada, o raciocínio – tirocínio ficaria melhor – sempre com o dedo no gatilho da poesia, ao se referir a saudade  saiu com essa quadra inesquecível e citada de cor e sem salto alto pelos conterrâneos. O poeta? Pinto de Monteiro.

Agora, sem nenhuma modéstia, essa que não me cabe mais aqui segurar, veja que beleza de poesia desse meu conterrâneo:

Esta palavra saudade
conheço desde criança
saudade de amor ausente
não é saudade, é lembrança
saudade só é saudade
quando morre a esperança. – Pinto de Monteiro

Bem, como vocês acabaram de ler, mais uma  pérola da poesia popular saída da boca desse que, segundo os estudiosos do assunto, é um dos maiores poetas do verde-amarelo.

Tem mais: não é um poeta que se limita ao que muitos conceituam por aí e “poeta popular”. Pinto de Monteiro é – nada de foi – é um poeta que nada ou quase nada deve aos grandes e reconhecidos como grandes poetas brasileiros!

Tô voltando!

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