…ela chegou com o seu carro cheio de vergonha do mundo

…ela chegou com o seu carro cheio de vergonha do mundo

ela foi chegando e, pouco a pouco, meio-dia ou quase isso, foi chegando de mansinho. o carro estava – vocês podem ver – cheio de ilusão. saíra nas primeiras horas do dia. não sabia a hora que voltaria para, vendido o que sobrara de muitos, resultado de várias tentativas feitas para pescar o melhor na latas de lixo, alimentar os filhos que em casa deixara. estava cansada. a cabeça vazia de qualquer esperança e cheia desse mundo onde os banqueiros (agiotas legalizados) nos roubam milhões por dia e a lei continua servindo apenas para esses pobres que se forem negros ou prostitutas servem melhor ainda. não me insinuei a ajuda-la. não iria aceitar a minha ajuda. estava acostumada. aprendi. a gente acaba se acostumando com o que não presta também. sou incapaz de mudar ?! pedira apenas para diferenciar a coisas mutáveis da imutáveis. e assim, a cabeça baixa, não com vergonha dela, mas, com certeza, desse mundo em que socialaites preferem adotar uma cadelinha a uma criança pobre, depois de minutos que pareciam horas, sem uma palavra, assim como chegou, saiu levando o seu carro cheio de… vergonha do mundo.

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