ele se foi deixando como sinal de sua passagem pegadas de luz…

ele se foi deixando como sinal de sua passagem pegadas de luz…

 Meninos, eu vi!  Mas se não acreditarem, nenhum problema: vi e acredito!

Hoje, manhazinha engatinhando, vi flores avermelhadas pela luz do sol. Belíssimas. Uma flor. Vi tudo vermelho como o batom na boca de Greta Garbo. Nem olhei para o alto. No alto eu estava. Sol.  Mente vazia a espera da luz. Uma beleza.

 Fazia tempo que não me deparava com esse espetáculo da natureza sentado numa cadeira da primeira fila. Estava. Ele apareceu assim como quem chega sabendo que naquela hora a sua presença mais que notada era sentida. Todo astro. Todo rei. Assim ele apareceu.

 Sabendo que se o enxerido mortal –imortais são os acadêmicos – lançar o seu olhar para um lugar mais distante em que nesse ele não esteja, fica difícil acompanhar o segundo ato: sua ascensão (pode? pode).

  Não tirei os olhos dele um só segundo. Hipnotiza. Hipnotizou-me.  É capaz disso. Muita luz. Sabe também que não existe aquele que arvore a olhar-lhe nos olhos.  Ele tem muitos olhos. E todos cheios de luz. Muita.

 O fogo se derramou sobre o mar e não queimou nem uma caravela. Sempre assim. Pela manhã vem manso e suave como uma onda sem ressaca.  Nada de queimaduras. Nada de pele manchada.  Uma só mancha ele não deixa no caminho. Só luz. Um caminho de luz.

É assim como o rio que corre e nunca é mesmo. Nem o homem que nele toma banho. O sol também tem dessas coisas.  Nenhuma vez aparece do mesmo jeito. Nunca é o mesmo. Enganam-se aqueles que poetizam em versos e prosa dizendo que o sol vai continuar brilhando “do mesmo jeito”. Nada disso. Nunca. Nada é eterno.  Nem o seu brilho.

Os olhos fixos sobre o mar. Fixei-os. Vi o mar aos seus pés. O fogo beijando água. Beijo e fogo. E assim, o gosto de sal na boca, pouco a pouco ele foi se despedindo e deixando como sinal de sua passagem pegadas de luz.

Uma beleza! Vê-lo-ei o assim outras vezes. Veremos. E mesmo que não queiramos, ele brilhará por nós.nuvem-pegando-picasa

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