Entrincheirados desde 1917.

Entrincheirados desde 1917.

Nada daquele tesão primeiro que sentia nos meus tempos de menino-Jaguaribe quando escutava falar em um filme que estava concorrendo em dez categorias diferentes do Oscar. Aqui, sem muito esforço, apenas lembrança de cinéfilo, me vem à cabeça Titanic (James Cameron, 1997), que recebeu 14 indicações e 11 prêmios; “Ben-Hur” (William Wyler, 1959), com 12 indicações e 11 prêmios, e “O Senhor dos Anéis: O retorno do Rei” (Peter Jackson, 2003), que recebeu 11 indicações e estatuetas.

Desses, sem medo de ser feliz nem vergonha por ter sido um dos poucos nessa situação, confesso que ainda hoje não tive saco para assistir ao “O senhor dos Anéis” e “Titanic”. Vi o Retorno do rei. Mas vibrei naquele dia em que entrei no cinema Plaza (acho que foi nele) para assistir a Bem-Hur. Agora, sem quaisquer tesões e com o auxílio luxuoso de um “piratinha”, esse que duvido não existir cinemaníaco que não tenha em casa um, foi o 1917 de Sam Mendes.

Semana passada, sem muita coisa para ver e muita para ler, atrasado que estou dois ou três livro na vida, assisti ao referido. Ufa! Não sei mesmo o que está acontecendo comigo. Se não tenho saco para assistir ao Senhor dos Anéis, ainda, quase sem saco fiquei assistindo ao elogiadíssimo 1917. O filme é simples. Uma história que não vi nada de extraordinário. Dois sujeito que assim como aqueles dois famosos que não saem do armário, passam o filme quase todo sem sair das trincheiras sair. Um filme de guerra? É. Mas uma guerra particular de apenas dois homens: Os cabos Blake (Dean-Charles Chapman) e Schofield (George MacKay).

O enredo, como todos sabem nessa altura do campeonato, não poderia ser mais simples. Os dois soldados ai nomeados (Blake e Schofield), vivendo numa tranquilidade de matar de inveja aquele gato preguiçoso, o Garfield, recebem a missão – digamos assim – de salvar o irmão de Black, (Last but not least) e as vidas de 1600 soldados. O motivo?  Iriam cair numa emboscada. Mais? Conto: marcados no relógio – fiz questão –, somente depois de quase 53 minutos de filme, os “heróis” –  um, porque o outro fica no caminho – conseguem sair das trincheiras.

Vi 1917. E apesar de respeitar o que dizem os especialistas, os críticos de plantão, por mais que tentem exaltar a “genialidade” do Sam Mendes com seus chamados “planos sequência”, fora desses e outros que possam descobrir por aí, será premiado em algumas categorias, porque infelizmente outros não tem categoria suficiente para disputar com ele, por mais fraco que seja esse. 

Meu Deus!  Depois do “Paciente Inglês”, mesmo não sendo réu, confesso que a minha paciência chegou ao limite: 1917 não é lá essas coisas que dizem por aí.  Não é mesmo.

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