essas “meninas” de Olinda!

essas “meninas” de Olinda!

As “meninas” de Olinda.  Assim mesmo entre aspas. “Meninas”. Achei que era um bloco.  Foi a primeira impressão. Não era.  Constatei em seguida. Eram dois personagens – acredito – a procura de um autor. Ou de vários. Não ouvi o que elas falavam. Não dava para ouvir. Somente gestos. Via.  Risos. Ouvia.  Silêncio. Guardava. Movimento de mãos. Todos viam.

De longe, três ou quatro metros, não sendo, afinal, tão longe assim, prestávamos toda a atenção. Sorríamos. Às vezes. De que eestariam falando? Sobre o quê? Por que aquele olhar de “menina culpada” de uma?  E o que a outra, contando nos dedos, a outra contava? Foram um, dois, três, quatro… Perdeu a conta!

Seriam os anos quem  em que não se viram “virgens” nesse bloquinho sem graça que mais sem graça ainda ficou com a ex-mulher de Ximbinha? Pausa. Não sei se é pelo fato de preferir ser Cafuçu. Mas não acho graça alguma em sair de virgem nem ver virgem fingindo o que deseja  ser  e que  muitas  realmente são.

Mas pelo que se pode ver naquelas, essas  não estavam felizes.  Outras “meninas” também fizeram coro pelas ladeiras de Olinda. Vi. Todos sem negar a cor dos cabelos pintados e os gestos que nada de ensaiados tinham. Essas, porém, assim vistas de longe, eram somente tristeza.

Tudo bem que alguém ao lado sorria e dizia que entre elas “rolava” um carinho pouco comum entre duas pessoas que não fingiam ser o que realmente eram. Olinda tem dessas coisas. A propósito, ainda no meio do caminho, esse sem uma pedra ter, ouvi quando duas foliãs disfarçadas de não sei o quê conversavam sobre o prazer que sentiam em estar em Olinda. Na verdade, a confissão veio de uma:

– “O bom é que tudo que a gente fizer ou deixar de fazer fica em Olinda!  Não temos satisfação a dar a ninguém! E quem vai saber?”.

Ouvi e em silêncio continuei. Ninguém iria saber. Essas duas, porém, não estavam nem aí. Que soubessem! Não estavam fantasiadas – eram elas mesmas.

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