UM  DIA DO NORDESTINO SEM CHEIRO DE NORDESTE

UM DIA DO NORDESTINO SEM CHEIRO DE NORDESTE

Sei não. Mas acho uma besteira essa do Dia do Nordestino. Foi o meu sobrinho, curioso que só ele – gostou de “que só” -, quem me despertou para o fato. Sabia tio? Não sabia. Hoje, 08 de outubro, faltando apenas 14 dias para o aniversário deste Malabarista de Palavras – depois não me digam que não avisei – é comemorado o Dia do Nordestino. Não sabia. Volto a confessar.

Mas, sinceramente, ele não sabia e, agora sabendo, acho essa mais um das besteiras dignas de figurar entre as divertidas besteiras selecionadas pelo Stanislaw Ponte Preta. Dia do Nordestino?! Meu Deus! Pra começo de conversa, ou melhor, destas mal-traçadas é bom saber que essa besteira começou em São Paulo, onde dizem estar a maior “cidade nordestina” do País do Carnaval e hoje mais do que nunca  do Futebol.

  Uma homenagem ao nordestino prestada pelo Estado de São Paulo seria assim, como dizer?, uma forma de agradecer aos muitos nordestinos que foram a São Paulo, contribuíram com o seu trabalho para tonar São Paulo a metrópole que sem dúvidas ela o é (epa!), voltaram às suas cidades de origem e nunca mais deixaram de ser nordestinos. Seria assim ou mais ou menos – que medida! – assim como o Dia da Mulher, que passado o seu dia – um alívio! –  volta a ser mulher de novo. Sentiram a ironia? Sentiram mesmo?

Pois é. Hoje, 08 de outubro, os paulistanos homenagearam o nordestino e muitos nordestinos não sabem nem por que estão sendo homenageados. Porque é antes de tudo um forte? Ó Ledo Ivo Engano! Por que conseguiram sobreviver em São Paulo, sair de lá se achando um vencedor por ter sobrevivido? Outro Ledo Ivo! Nada disso. É o que acho.

Não disse mais nada. Afinal, o meu sobrinho, assim como este Malabarista de Palavras também é nordestino. A homenagem? Tudo por causa de Patativa de Assaré, o escolhido para representar todos os nordestinos nessa homenagem. Nada contra. Patativa nos cantou – muitos não cairiam na sua cantada – muito bem.

Resumindo neste último parágrafo: em 2009, homenageando o centenário do nascimento de Antonio Gonçalves da Silva – esse é o seu nome de batismo -, São Paulo resolveu estimular a ideia em muitos de que o nordestino continua sendo um forte, e por isso merecia ser homenageado. Agradeço. Mas, passada a data, por favor, deixe-me em  paz com a minha nordestinidade. Mas  que  acho essa uma homenagem merecedora de constar no Febeapá do Stanislaw, isso eu acho!

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