esse mar cheio do vazio de gente!

O domingo foi de caminhada à beira-mar. Um sonho para muitos e um pesadelo para os que temem o mar. Mesmo estando esses acordados. O mar em tempos de corona. O  sonho que não é o meu de estar no mar, viver no mar. Viver o mar? Pode ser.  Sonho com outros mares que não são de água salgada. O espaço vazio das praias nesses dias me enche de saudades. Mesmo não gostando tanto assim dele. Pouco.  Nunca vi tanto vazio numa caminhada com o mar cheio.

A  minha falta não é das pessoas que gostam e sonham com o mar. Nenhuma. A falta é a  minha. Sinto a minha falta nesses e em outros dias em que o corona falta nenhuma nos faz.  Vírus que nos deixou mais solitários ainda.  Só não podemos é creditar a ele  essa  solidão que carregamos dentro do peito.  o vírus é um  mal que não se vê a olho nu. Pouco importa se vestido ou nu. Mesmo não vendo – não teria que comprasse… –  a olho nu sentimos que ele existe e nos faz mal.

O mar parecia aborrecido nesse domingo. Não conosco. Achei mesmo que era com ele que se aborrecia.  As vezes muito e vezes outras nenhuma. Se o mar é logo ali, porque não ir ao mar?  Apenas por isso. Nada mais. Fui. 

Um dia o meu irmão que já trocou de roupa e foi morar noutra cidade disse que o mar só brigava com ele mesmo. Nem com as ondas ele brigava. As próprias.   Ora bolas! Não foi a sua expressão. Essa era  própria do meu poeta Quintana. A sua expressão – do meu irmão –  passava por aí. Porque brigar com quem lhe embala o sonho em noites de tormenta? Perguntava. Como este mb o meu irmão que agora mora em outra cidade não trocava todos os sete mares do mundo por um rio escondido no meio da mata. 

Os pacífico norte, pacífico sul, atlântico norte, atlântico sul, índico, ártico e antártico, os sete mares, o meu irmão não trocaria pelo seu – o nosso – rio jaguaribe. Não era doce morrer num mar! era  muito salgado. Sobretudo para quem a pressão vive lá em cima. O velho compositor baiano errou no tom de sua – dele – poesia. O rio sim.  sorrio. É doce é viver – morrer é salgado! – num rio!

 Não é que não goste do mar. Esse não faz mal a quem o respeita. Por isso mesmo não deixa de existir um respeito mútuo entre nós (sic). Se ele gosta de mim ?  não sei. Também  nunca saberá que não gosto dele. Admiro-o pela sua beleza e força e perenidade. Sua luta que sempre acaba em água. sísifo de água salgada que que passa sua existência levando ondas a beijar a areia que sempre voltam para os seus braços.

 A caminhada não é melhor porque está sendo feita com o mar ao seu lado. O mar não é uma companhia. Se boa ou má, depende de quem caminha.  E pouco importa se você sente ali a sua presença ou não.  não pense que o  ar que você respira vem dele. o ar está nele.  Ele não existe para você nem você é indispensável à sua existência. mesmo que  para alguns  ele seja essencial no viver da arte e para a sobrevivência dos que  dependem dele  para viver.  Existe fim de papo.   Diferente de um botão que não desabrocha apenas para mostrar que é uma rosa enrustida.

 Mas, nesse domingo, nunca vi um mar tão triste, tão cheio de vazio. Não foi o meu olhar. E dúvida desse fato não tenho nenhuma. Verdade que nesse domingo vi os seus olhos de ressaca mais tristes do que nunca. Não adianta. A beleza do mar está em nossos olhos. Assim como as cores. A beleza do mundo. A beleza da vida.  Não adianta ver o mar com óculos coloridos na esperança desses olhos colorirem. Pausa. Não me canso de repetir: o nosso rio é mais colorido. Mesmo sem carnaval e maracanã. Mesmo sem samba. basta ser um rio.  

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