ESSE MEU VÍDEO DE CHICO A BEIRA-MAR…

Um uísque antes e outro depois de ouvir/sentir essa letra de Chico. Eu te amo. Não mais que isso. A insistência pode nos levar a perder muito do que fala o poeta.

Chico é sem dúvidas o nosso maior compositor vivo. Encontrar alguém para perder a hora? Belíssimo verso!

 Eu gosto de Chico cantando as coisas dele. Nem precisa ser um bom cantor.  Chico não é. Mas, se isso nem fosse, bastaria recitar o que escreve.

 Um dia Chico disse que não era poeta.  Letrista. Apenas. Não aceitei. Não aceito. Modéstia do poeta. Chico é um  dos maiores poetas da língua portuguesa. Nada de letrista. Embora às vezes aconteça.

 Nesse exato momento e instante, como diria o Gonzaguinha, esse um ótimo letrista, sentado à beira-mar, escuto Chico cantar versos como (belíssimos!) “Se nós, nas travessuras das noites eternas/Já confundimos tanto as nossas pernas/Diz com que pernas eu devo seguir”!

 Putaquelosparis!

O uísque desce suavemente, poeticamente por uma garganta que insiste se entregar toda à dose chorada!

 O mar está calmo. Sinto que ele também faz silêncio. Tudo para melhor ouvir o poeta. As ondas estão calmas. Também. Vai Chico, chora, canta, diz o que muitos gostariam de dizer, mas  como não poetas nunca conseguirão!

- “Como, se nos amamos feito dois pagãos/Teus seios inda estão nas minhas mãos/Me explica com que cara eu vou sair”!

 A história se resume nisso e apenas nisso: com eles vão partir, se perderam a noção da hora e nem pernas  tem mais para seguir?

 A melodia faz jus a letra – belíssima!

 Ao lado, uma mocinha que também se entrega ao “sofrer” do poeta, deixa o cigarro no cinzeiro acendendo e apagando feito vaga-lume. A fumaça. Essa sobe devagar.  Ela acompanha com os olhos  movimento da fumaça balançando no ritmo da canção.

  Seria imaginação? Uma lágrima desce molhando o seu rosto. Balança a cabeça. Deixa pra lá!  O pensamento? Lá onde a imaginação faz a curva. Deve ter pensado. O vento. Ah, esse também não balança as palhas do coqueiro – suspira baixinho. Peço outra dose.

 – Por favor, Garçom, outra, mas sem fazer barulho!

 E antes mesmo que Chico acabe o seu sofrimento, pergunto ao garçom se poderia repetir.

 -Outro uísque?

 Não, respondo:

 – Chico de novo!

Compartilhar...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on Twitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*


+ sete = 15

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>