Esse Rio Jaguaribe que nas minhas veias corre!

Esse Rio Jaguaribe que nas minhas veias corre!

Era um tempo em que Sargento Oscar bancava o melhor “côco de roda” da minha Republica Independente de Jaguaribe. O Sargento Oscar era o pai de Guru, peladeiro que habitou por muito tempo o Campo da Vila – tinha outros nomes -, e participante de muitas partidas entre Senado e Cu de Calango, dois times de pelada famosos nos meus tempos de menino-jaguaribe.

Guru, como me informara um dia o seu irmão, esse conhecido por todos como “Galego”, fora em vida muito amigo, no Rio de Janeiro para onde se mandou, do famoso Escadinha.  Naquele dia em que ele, Escadinha, saiu “voando” do pátio do presídio de helicóptero, Guru fora convidado pelo próprio para voar também e não topou.

Faz tempo que Jaguaribe, mais especificamente o Bar de Rufino, aquele que ficava na esquina da Alberto da Brito com a 1º de Maio, viu nascer a Marcha da Cueca do saudoso amigo Livardo Alves.  Um dia, Jackson, também muito conhecido na minha Vila dos Motoristas, amigo dos meus  irmãos e um tanto distante amigo meu, pois a idade também ficava muito distante, disse que a famosa composição de Livardo Alves, muito antes,  era de domínio publico. Não discuti.

Lembro quando Tota, o meu irmão, uma espécie de herói dos fracos e oprimidos, furou o olho na sinuca de Aguiar e, desesperado, saiu pelas ruas do nosso bairro querendo dar fim a própria vida. Era desespero. Todos entendíamos. Entendemos até hoje.

E Vilei, conhecido como “Porco Russo”, pai dos amigos Vilei, Pote e Eto, um mediano jogador de peladas que disputou muitas dessas entre times de bairros, que um dia entrou na mata do Buraquinho, e passou dias por lá escondido e conversando com arvores e animais silvestres?

Lembro-me bem do dia em que Humberto, o Doido da minha rua, num “ataque de lua cheia”, como costumava dizer, saiu correndo pela Rua Senhor dos Passos, mais “doido” do que nunca, e, a cabeça na lua, caiu na vala aberta no meio da rua, pronta pra receber os tubos dos para a implantação da rede de esgotos, e , chorando como somente os doidos felizes são capazes, sentou numa pedra na vala caída, e cantou o um ponto de umbanda que dizia “Tava sentado na pedra fina/Quando o rei dos índios/Mandou me chamar/Sou eu, caboclo índio/Índio africano do Juremá”.

Como esquecer o Bondinho que vindo do centro pela Rua das Trincheiras, hoje João da Mata, entrava na Rua 1º de Maio como uma cavalaria americana que na última hora aparecia para salvar o mocinho?! E eu menino encostava o ouvido no poste de ferro, assim como índios faziam encostando os deles no chão para calcular a distância em que se encontrava a cavalaria, e gritava feliz ” o cavalo de ferro  está  próximo”!.

As lembranças vêm e vão. O menino-jaguaribe, porem, continua aqui. Não vai nunca. Apenas veio.

Compartilhar...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on Twitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*


× 9 = oitenta um

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>