Está chegando a hora de molhar o coração…

Está chegando a hora de molhar o coração…

# -Um dia não muito distante eu disse que todo hospital era frio. É frio! Sem S!  Sobretudo para quem não é paciente. Hoje eu sou. E, por isso mesmo, tenho que ter mais paciência do que antes. É frio. Mas um frio que vem de fora. Por dentro, mesmo assim tão frio, um sol brilha. Tanto brilha que a sua claridade sai pelos olhos. Tudo isso alimentado por quem a gente ama. Todos os que chegam trazem isso: amor. E agradecido, muito, só me resta dizer que acredito em um novo amanhã.

 # -De repente chega a Rosa me trazendo notícias lá de fora. Todas boas. Outras, assim também de forma inesperada, mas sem a surpresa da canção, chega a minha Carolina acompanhada dos meus belos netos. Uma festa! Como eu as adoro! Uma Rosa para Carol e uma Carol para Rosa.

  –  O apto nem parece que é próprio para isso: esperar que o coração se acalme para depois fazer festa para o coração. Lembrei a frase daquela musiquinha gostosa que eu gosto muito: “o meu olhar vai dar uma festa amor, na hora que você chegar”. E num sabe que isso é verdadeiro? Todas ás vezes que elas e eles, irmãos e amigos, Carol e Rosa e netos por aqui chegam o olhar faz a sua festa?

 # -São cinco dias… Momento, deixem-me fazer as contas: isso! Amanhã será o quinto dia de espera e mais ainda de esperança. Alguns tentam me dizer que tudo é a coisa mais simples do mundo. E se não fizeram essa comparação, agora faço: é tomar pirulito de criança.  Mas peraí, eu nunca fiz isso!  Embora sem nenhuma maldade neste péssimo e ao mesmo gostoso mundo, as crianças podem ser mesmo enganadas. “Dá o pirulito para o tio? ” Ela dá e, para tonar mais doce ainda o pirulito, nos oferece um sorriso.

 # -Com a Rosa, doce, e a minha também doce Carolina, por aqui, não temos tempo para pensar em outra coisa que não seja a vida. Viver e não ter a vergonha de ser feliz! Nós somos?  E muito. Você é? Essa foi a pergunta que o cirurgião, o excelente cirurgião Dr. Maurilio Onofre Deininger, responsável por uma equipe de pesquisa de pré-cirurgiados, me fez outro dia. Se eu sou feliz? Totalmente. Nem pensei duas vezes para responder. E não me fiz de rogado como muitos que são felizes na infância e mal-agradecidos dizem que não sabiam dessa felicidade. Maravilhoso ser feliz e saber dessa felicidade. Eu sei. A Rosa sabe. Carolina sabe. Dapenha e Cléo, Paulo, Gil de Rosa e Marta, Bruna. Rebeca… Livinha? Essa é o meu xodó. Tudo isso sem contar com o meu craque Engels e o Belo Abel.

 # -Leio. Esse não é o meu mal. O meu mal é outro, esse que em breve será curado. Leio porque não sei fazer outra coisa melhor. Talvez até saiba, mas, por enquanto, prefiro ler, descobrir novos caminhos abertos pelas letras que pulam diante dos meus olhos. Fazem malabarismos.

#  Outro dia, esse há pouco, curtimos, a Rosa e eu, a boa história de abertura escrita pelo Fausto Wolff sobre o seu personagem “Todo ruim”. Uma historiazinha bonita e triste. Está lá no seu Olympia, um romance de quase 500 páginas, que começa de forma hilária. Conto? Só um pedaço:  o mundo foi feito com o coco de um deus que fez as suas necessidades no quintal de sua – dele – casa. Nele mesmo não, numa montanhazinha que dava para ver de sua janela. Fico por aqui. Se não, contando mais, assim como não gosto quanto a Rosa lê as sinopses dos filmes a que iremos assistir, pois acho não ter nenhuma graça saber antes da história. Perde a graça. Assim também acontece com os romances que a gente lê e conta para os futuros leitores.

 # -Gil de Rosa, parceiro e irmão, entra muito bem acompanhado da esposa Marta, companheira e parceira, e me conta a história de um “machão” bem casado, pai de belos filhos, mas que um dia, não aguentando a barra, chegou para o seu amigo e psiquiatra aos prantos e barrancos. O motivo? Confessou, chorando: “O meu namorado vai casar! ”. O amigo, nesse momento apenas amigo, nada de psiquiatra, não entendeu. Você está querendo dizer “a namorada”? E ele aos prantos e barrancos: “Não, meu amigo, não! Eu disse isso mesmo: o meu namorado!  Faz tempo que o tenho! Sou casado, bem casado, mas esse é o maior amor da minha vida! Não sei o que da minha vai ser! Ajude-me, por favor! ”.

# –  O amigo, agora psiquiatra, ante a surpresa maior, deve ter procurado outro psiquiatra. Um choque, contou ele, dias depois, para o filho de dona Rosa e seu Antonio. O final, se não escrevo agora, é que com os sorrisos saindo por todo os poros, meu irmão e amigo e parceiro Gil de Rosa não conseguiu contar. Fica para outra vez.

 # -Volto ao hospital. Melhor: a sala fria. O frio que vem de fora, mas não consegue esfriar o nosso peito por dentro. O coração em especial. Tudo passa. Essa é da Rosa, bela companheira que faz o meu jardim mais bonito. Uma fase. Essa também é dela. Ora, papai, estava triste, muito, mas agora tenho a certeza de que tudo já deu certo. Essa não preciso dizer de quem é. O senhor é o meu coração fora do meu peito.  Essa também é dela, Carolina, a minha amada filha.

 # – Escrevo esta diante da Rosa. E viva a rosa! Lembra dessa musiquinha? Ela mereceu uma melhor. Fi-la. Melhor: fizemos (ou filemos?). O meu irmão e parceiro Gil de Rosa e este MB. Flores. Vocês precisam ouvir o Gil de Rosa cantando as suas flores e, entre essas, a flor que é minha. Rosa. “As cores são os olhos que pintam”. E agradeço por essa flor ter pintado em minha vida. Paro por aqui. Tá chegando a hora de molhar o coração.

Compartilhar...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on Twitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*


cinco − = 1

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>