EU RESISTO! E SE ESCREVO É PARA NÃO MORRER DE QUARENTENA! (sétimo dia)

EU RESISTO! E SE ESCREVO É PARA NÃO MORRER DE QUARENTENA! (sétimo dia)

# – Estamos no sétimo dia da chamada “quarentena social”! E ai, como os colegas, os que quarentena estão, vão enfrentando essa barra ?!  Quarentena social!  O nome é bonito. Mas, pensando bem, não é todo mundo que aguentará 40 dias sem levar os seus pés para beijar a branca areia de uma praia, ou dar um giro, sem pretensão de deixar as suas marcas, pelas ruas do seu bairro.

 # – No meu caso, acreditem, nem preciso. Pois, afinal, o meu bairro Jaguaribe, se não o carrego na sola dos pés, no meu coração ele tem morada. Mas, como eu dizia, mesmo estando com quase tudo em casa, quase (ninguém “tem tudo”), a quarentena, para muitos, não passa de uma prisão numa cela especial.1berto-e-caricatura-300x155 BOA

 # – Amanheço em mim. Notaram? Eu gosto de amanhecer em mim. E assim que esse amanhecer acontece, nada mais natural, mania do homem moderno, abro a minha caixa de notícias, o computador, e me deparo com o mestre Evandro Nobrega, esse cara que entende um muito do muito que as coisas tem, ou vice e versos, o Druzz, lembrando que o genial – não gosto de chamar o homem, esse projeto de Deus que não deu certo, de “gênio” – Leonardo da Vinci, “descobriu” que o “O homem (deve ser) o máximo instrumento da natureza”. Se gostei? Mais o “deve ser”, que de todo o resto.

 # – Nesse exato instante ou momento, escolham, lembrei do papo breve que tive um dia com o cantador (por onde andará?) Elomar Figueira de Melo, no antigo cinema Santo Antônio, onde esse excelente compositor, valorizando o ótimo Projeto Pixinguinha, se apresentava: “Acho, Elomar, que todos não passamos de instrumentos. Não criamos nada…”. E ele: “Excelente! Excelente! Sempre pensei assim!”.

 # – Não direi, assim como disse o bom Taiguara, belo e poeticamente, “Eu desisto Não existe essa manhã que eu perseguia “. NÃO DESISTO! E, por favor, não me venham com ameaça de “solidão” ou “claustrofobia”. Se for para bem de todos e felicidade geral do meus, sem problema, não apenas 40 dias, mas passaria o resto da vida.  Se tenho vontade de sair às ruas?  Espalhar os meus passos por velhos luares conhecidos? Caminhar pelo meu bairro como se esse fosse a “casa” mais segura? Misturar o meu olhar molhado nas água s do meu rio Jaguaribe? dilui-me em suas águas? Voltar à minha sala de trabalho ?! Ah, se gostaria!

 # – Mas sabedor que sempre fui de que o apressado come cru, e esse MB além de comer bem cozido gosta de preparar a própria comida, nenhuma pressa tenho para abrir a porta da minha casa, e emprestar esse olhar curioso   ao luar comum. Sei que tudo flui, todos sabem ou deveriam saber.  O filósofo Heráclito – esse de Jaguaribe, não o de Éfeso –, mas o de meu velho e sábio pai, sabia das coisas. E entre as muitas coisas que sabia, nos ensinou que o lugar comum não existe, tudo depende de tua maneira de olhar esse lugar.Mas vamos em frente. Disse e agora repito: pode vir que com a quarentena, que estou fervendo! Não estou nem aí, estou dentro de casa!

# –  Deu-me uma vontade da gota serena de espalhar neste espaço, com o Corona escondido em cada esquina, esse vírus, pegando atalhos muitas vezes, esse belos versos de o Universo do teu corpo, poesia e muita, do inesquecível Taiguara. Não resisti:

 

“Eu desisto

Não existe essa manhã que eu perseguia

Um lugar que me dê trégua ou me sorria

Uma gente que não viva só pra si…”

 

Em tempo: estou de QUARENTENA!  E, se não escrevo, de QUARENTENA morrerei!

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Um comentário

  1. Mais uma vez ,fico orgulhoso de ler e ver em palavras uma sabedoria que vem de Deus…para um malabarista de palavras.
    Parabéns Dr Humberto.

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