Faz tempo que CHINELO não mora mais aqui!
Chinelo e o Malabarista de palavras

Faz tempo que CHINELO não mora mais aqui!

Chinelo, personagem preferida do meu bairro Jaguaribe, aquele que “morava” na esquina da Rua Vasco da Gama com a Rua 12 de Outubro, trocou de roupa e se mudou para outra cidade há quase cinco anos. Por aí.

Todos por aqui sabem  ou pelo menos sabe um dos meus dois leitores, que eu gostava de bater longos papos com Chinelo. Muito.  Parava o todo preto com cascos de borracha nessa esquina, tirava os sapatos, calçava as chinelas e dividia com ele aquele espaço que fora somente dele.

O papo quase sempre era sobre a vida e os homens.  Nunca ouvi Chinelo dizer “Tô cansado e gostaria de descasar eternamente!”. Também nunca disse “Vivo pedindo a Deus para morrer, porque sei que  morrendo,viverei eternamente”. A eternidade de Chinelo, essa que ele nunca pedia, não ficava como imagina idiotamente aquele cantor popular “Além do arco-íris”.

Ele assim como esse sujeito que em respeito a Chinelo, se algumas vezes sentou-se- ao seu lado de sapatos foi porque se esqueceu  das  chinelas suas,  sabia que a eternidade dele poderia estar bem ali diante dos nossos olhos, na esquina da Vasco da Gama com a 12 de Outubro. E deu no que deu: eternizou aquele  lugar.

Na verdade o que eu gostava mesmo em Chinelo era sua companhia de pés no chão. Sua descrença – Ah, disso eu gostava muito – nos homens que passavam nos seus Corollas último modelo!  Mas também naqueles que passavam a pé e apressados em busca de um lugar no futuro. Chinelo também não acreditava.

Hoje passando pela “casa” em que morava Chinelo, senti saudades de suas conversas cheias de esperanças na vida e vazias de lamentações.

Saudades de Chinelo.

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