acorde para voar ou voando num acorde desafinado!

acorde para voar ou voando num acorde desafinado!

São cinco horas da manhã. Nenhum problema. Nada também  estranhar. Essa é a hora em que este MB acorda. Disse acorda. Não  “levanta” da cama. Mas também acontece também deste mesmo MB  acordar e se levantar da cama.

Hoje foi assim.

Acordei e me levantei da cama com os  olhos ainda cheios de mistérios e fui ao meu costumeiro e cheio de graça – eu, eu, eu –   espaço internético.Agora não me pergunte que espaço é esse, por favor. Mas se perguntar eu digo: esse onde espalho minhas dúvidas e poucas certezas.   Afinal o mundo é feito pelas perguntas. As respostas são apenas detalhes.

 Dessa vez  foi uma ligação que veio não sei de onde – nem lembrei de perguntar, porque em seguida tornou-se o  óbvio do Nelson Rodrigues. –  para me levar aos ares.  Veio para me tirar do humor. Pausa. Nada de “me tirar do sério”.  Tirar do humor me pega melhor.   

. – O seu voo está marcado para às cinco horas. (A ligação chegou ás quatro).

- Eu?!

- Sim.

- O meu voo?!

- Sim.

- Acho que está havendo um engano. Tem alguém voando nessa história e não sou eu.

-  Senhor, estou apenas fazendo o que o senhor pediu! –

- Eu pedi?!

- Sim. Está aqui confirmado: “Avisar horário de voo às quatro horas”. 

- A senhora me desculpe. Mas não programei nenhum voo nem pedi para ser acordado essa hora. E estou com muito  sono ainda.  Por favor não  me ligue mais. É a segunda vez que esse telefone toca me perturbando.

-  O senhor vai perder o voo!

- E o que eu tenho a ver com isso se não vou viajar ?! Se  não marquei nada ?! Se  não marquei voo nem hora para ser avisado do mesmo?!

- Tudo bem. Depois não vá reclamar. Não diga que perdeu o voo por nossa culpa.

Desligou.

Voar nesses tempos de corona? Eu?!  Nesse momento em que o Corona nos tira o sossego e paz? Que virou obsessão?! Nem pensar nem deixar que alguém pense por mim! 

A verdade é que não consigo mais ficar um segundo sem lembrar que o Corona, assim como um big brother, está de olho em mim.Não aguento mais  essa história de não toque em nada, não esqueça o álcool em gel, lave bem as mãos com água e sabão, deixe as roupas com que saiu fora da casa ao chegar,  tire os sapatos ao entrar em casa, não leve as mãos aos olhos e boca, não esqueça de trocar a máscara a cada tantas horas de  uso, não faça exercício com menos de dois metros de distância do outro que exercício faz, evite comer fora de casa, evite beber fora de casa, evita aglomeração, evite praia, evite, evite evite… Chega!  Em síntese:  se  poder não sair de casa não saia!

 Se fica por aí? Se ficasse seria um pesadelo menos pesado para o meu sonho carregar! Se tem mais? Tem.

Todo cuidado é o pouco! O vírus permanece muito vivo no tecido por tantas horas, no plástico por horas outras e na numa superfície lisa por ene horas! Não use dinheiro para fazer pagamento e não use isso e aquilo e aquilo outro e mais aquilo!

 Deus meu! Viajar em tempos assim? Somente se for  na imaginação e  usando máscara! Tudo sem esquecer de trocar essa de quatro em quatro horas se essa viagem durar mais que isso!

 Toda essa história me lembrou as “linhas cruzadas” do excelente Luiz Fernando Veríssimo. Uma crônica digna de figurar entre as melhores (de humor, de humor) já conhecidas pelo meu sorriso. A referida segue  logo abaixo destas mal-traçadas . Leia e   também sorria. Aproveite. Não se paga nada para isso. Ainda!  A não ser que você corra e vá comprar o livro. Se vale a pena? Muito!  A pena de quem o escreveu e o livro. 

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