Luizinho Eça nas memórias do Ronaldo Bôscoli

Luizinho Eça nas memórias do Ronaldo Bôscoli

luizinho elça umAlguns sabem, outros ainda não. Digo então para esses outros: estou sempre atrasado muitos livros na vida, e, por isso mesmo,  corro demais.  Mas peraí. Nada a ver – nem ouvir – com o “rei” Roberto Carlos.  Pausa. A Rosa não gosta de Roberto Carlos, disse-me inúmeras vezes;  eu gosto, outras vezes eu lhe disse. Inúmeras também. Estranha mesmo  o fato de  este MB guardar alguns discos do compositor da excelente “Detalhes”. Digo mais: das excelentes “Como é grande o meu amor por você” e “Sua estupidez”.

 Ainda na leitura do bom “Ducks City –  Uma cidade encantada não muito longe daqui”, de J.M.Victor, e  releitura de “Reflexos do Baile” do Antonio Callado. Agora mesmo, nesse exato instante, descansando a mente desses dois bons textos, mergulho, só para emergir mais forte, nos “depoimentos livres” de Ronaldo Bôscoli, “Memórias – Eles e eu” ,  coletados por Luiz Carlos Maciel e Ângela Chaves. 

Bôscoli teve um importante papel – compositor, diretor e produtor –no movimento bossa novista.  Na sua criação. Era um bom letrista. Experiente na feitura daquelas letras que a Bossa Nova ajudou a consagrar. Banquinho, violão, mar, sol… Essas coisas. Circulando e vivendo muito bem nesses meios, o artístico e  o jornalístico(sic), ele fala dos famosos personagens que conheceu  na noite carioca e fora dela. A edição é de 1994.Não é preciso dizer muito sobre Bôscoli. Apenas que papou muitas mulheres.   E, entre essas,  a Elis Regina e Maysa.

 Brinco no parágrafo aí.  Agora falando sério.

 Mas Bôscoli  era  um bom letrista e  foi personagem marcante  na  história da Bossa Nova. No livro, ele fala  sobre os muitos personagens  que conheceu  e participaram da história – especialmente –  da Bossa Nova.   Lendo-a, parei no comovente depoimento que ele dá sobre Luiz Mainzi da Cunha Eça, professor, músico, arranjador, pianista e compositor, fundador do ótimo Tamba Trio,  o Luizinho Eça. Luizinho era descendente do escritor português Eça de Queiroz.  Mas vamos ao depoimento.  Um depoimento triste e hilário ao mesmo tempo. Pausa. Acho que mais triste. Segue:

 

“Luizinho bebia pra burro. Frequentamos a noite juntos;  ele começou a tocar muito, e em tudo que é canto.  Foi um dos ídolos do Chicos’s Bar. Anos mais tarde, porém, um babaca – não sei quem – resolveu introduzir a maconha na vida dele. Ele me dizia, pra aliciar:

- Pô, você está ficando barrigudo que nem eu. O fumo acaba com a barriga.

A mulher dele, Lenita, também era chegada. Os dois faziam a maior fumaça. Moravam na Visconde Albuquerque e eu frequentava a casa, porque ele começou a trabalhar com a Elis. Ele era um cara tão louco, que deu maconha pra própria mãe:

- ‘Cê tá muito nervosa, pega um fuminho que dá pé.

Loucura. Depois veio falar:

- Maldita a hora em que fui dar maconha para minha mãe. Ele fuma tudo e ainda esconde!

Pude ver o início do trampolim óbvio  a partir da maconha: a cocaína. Luizinho começou a cheirar também. Ai, se deu mal, ficou sozinho na música.

… fizemos um grande show; que rolou o Brasil inteiro: Chega de saudade – sucesso absoluto. Ele, como arranjador e figura de destaque no show, teve a maior reação à doença. Sobressaiu e se reergueu.

Quando, dois meses depois, a Fernanda me falou que ele morreu, fiquei arrasado. Morri um pouco também. E acho que a grande emoção do show acabou por matá-lo.”

 

Em tempo:   Luizinho Eça morreu de enfarte, aos 56 anos, em 1992.

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