Mario Quintana: o poeta alado!
Mario Quintana: o poeta alado!

Mario Quintana: o poeta alado!

Todo mundo sabe que não sou poeta. Mas se poeta eu fosse um dia, um dia e nada mais do que isso, nesse dia eu queria ser um poeta como Mario Quintana! Ah, e nesse dia falaria das coisas mais complexas deste mundo com a naturalidade de quem colhe mangas no próprio quintal da mangueira que plantou!

 O poeta de Alegrete, Mario Quintana, faz a gente pensar que escrever um poema é a coisa mais fácil do mundo. E tem mais:  achar que todo mundo é poeta!  Achar ainda que para ser poeta basta apenas não querer tanto nesta vida como assim não o quis o poeta Mário Quintana. Um  Ledo Ivo engano. E nada poético.

 Sei que todo poeta verdadeiro é um ser privilegiado, diferente do muitos não poeta.  Todo poeta tem o  privilégio, se é que esse seja um privilégio,  de viver e morrer de poesia. E morrer assim nunca dói. Se ele começa a morrer num verso, a rima o socorre. Ou a falta dela.

 A gente vai lendo os poemas de Mário e embriagado pela poesia que ele espalha em palavras e pensamentos acaba  achando que fazer poema não passa de uma brincadeira de criança. Ah, quanto isso é verdade: somente os poetas sabem ser crianças quando estão aborrecidos dessa vida cheia de “adultices”!

É um relógio, um passarinho, uma janela, uma estrela, uma lua, um anjo… Tudo é motivo para o poeta Quintana fazer de conta que não procura os poemas,mas que eles, os seus poemas, esses correm atrás dele!

Acho que Mario Quintana anda com o bolso da camisa do peito cheio de versos prontinhos para dar um bote poético. Todos de prontidão. E quando precisa de um para contar o que somente os poetas sabem nem precisa colocar todos eles para fora do bolso para escolher aquele que melhor companhia fará a sua solidão. Todos, sem exceção, quando tocados pelos dedos do poeta estão no lugar certo e no momento mais certo ainda!

Não sou poeta. Pronto. Sei que estou sendo repetitivo. Mas vou repetir e nunca mais. Prometo:  não sou poeta e nunca  em poeta ser pensei. Tenho amigos poetas, e esses me bastam. Poucos. Não diversos. De versos. Eles fazem poesia por mim. Dividem comigo o silêncio de seus versos. O silêncio nos seus versos. Estou satisfeito.

Mario Quintana foi um deles que conheci em carne e  osso e poesia em tempos distantes  –  sempre presentes – na sua fria Porto Alegre. Nem precisei dizer pra ele que vivia a sua poesia, que ele era o poeta que eu gostaria de ser pelo menos um dia. Ele sentiu. Deu um sorriso maroto, olhou-me nos olhos, assim, meio de soslaio, soltou um seu característico “ora, bolas” e saiu espalhando poesia pelas ruas da fria Porto Alegre.

Hoje, como vocês podem ver nos PINGOS deste espaço Plural, amanheci cheio de lembranças desse poeta que  um dia, descuidado que andava pela vida, relaxado, deixou que uma de suas asas fosse vista a olho nu e entregou o seu segredo:era um anjo! 

Nunca vou me esquecer. No ano da graça de 1994, dia 05 de maio, na sua Porto Alegre, nesse dia triste, aos 87 anos, o poeta trocava de roupa e se mudava para outra cidade.

Ah, Mario, nenhuma duvida: ” Somos todos anjos de uma asa só, e só podemos voar unidos uns aos outros!”

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