MEMÓRIA DOS ANTIGOS CINEMAS DE JOÃO PESSOA (anco márcio)

MEMÓRIA DOS ANTIGOS CINEMAS DE JOÃO PESSOA (anco márcio)

Por Anco Márcio – em 10/11/2006 às 00h00

Quem vai hoje a cinema de shopping, certamente que num sabe da maravilha que eram os antigos cinemas de João Pessoa e adjacências. Plaza, Rex, Municipal, Brasil, Filipéia, Astória, Santo Antonio, São Pedro,Jaguaribe, São José,Bela Vista, Tambaú, e em Santa Rita, o Capitólio e o Avenida, esta último do pai de Alex Santos que também escreve aqui.

Os jornais anunciavam os filmes com “complementos” que eram o “Canal 100″, os trailers dos filmes que viriam a seguir e por vezes um curta metragem que naquele tempo se chamava “short”. Tudo num preto e branco de fazer inveja a Mestre João Córdula.Depois veio a maravilha do Tecnicolor e a seguir o Cinemascope a a Vista Vision esses processos usados hoje.

No Brasil tinha a matinês das Moças aonde o que menos ia era moça. Subia o raparigal todinho da Maciel Pinheiro e Silva Jardim e ia a moçada pobre dos bairros, pois se na semana custava 2,40, nessa sessão era somente 2,00 e passavam uns filmes mais ou menos.Eu sempre ia no bondinho de Jaguaribe.

Tinha as famosas matinais que começaram no Plaza e Rex espalhando-se depois pela cidade inteira: Santo Antonio, São José e Bela Vista tinham suas matinais e o Bela Vista, um dos maiores cinemas que já vi, tinha matinês também nos dias de semana coisa que somente o Santo Antonio dos de bairro, tinha. Eu vi filme na matinês da semana do Santo Antonio, com menos de dez pessoas.

Na porta a meninada aproveitava para uma sadia troca de gibis, revistas em quadrinhos assim denominadas por causa do “Gibi Mensal” a principal delas… Dentro era aquela clima gostoso de cinema onde um pum poderia ser ouvido no mais respeitoso silêncio.Só quando Ivo Bichara tava de mau humor dizia:

-Pede pra cagar e sai…

Dentro o pessoal da ACCP, Associação dos Críticos Cinematográficos da Paraíba, anotava os créditos: música, cenários, montagem. O pessoal da antiga ACCP era Geraldo Carvalho, Willis Leal,Barreto Neto, Jurandy Moura,Linduarte Noronha e depois Paulo Melo e Martinho Moreira Franco.

Os filmes passavam geralmente em quatro sessões, iniciando as 14,30 e terminando a ultima às 22, 30. Respirava-se um clima de paz e nas quintas havia o cinema de arte com obras selecionadas que depois eram discutidas nos cine clubes.Aí que saudade me dá…De noite, era Bambu, Hawai, Marambaia…Tempo gostoso que não volta mais…

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