Memórias: o primeiro filme a gente nunca esquece!

Memórias: o primeiro filme a gente nunca esquece!

Era a minha primeira vez no cinema. Acho que tinha  uns oito a dez anos. Por aí. Do filme ainda me lembro: Tarzan, o magnífico.  Um filme britânico. Também lembro. A direção é de Robert Day. E com quem? Ah, um canastrão: Gordon Scott.

 Nada estranho. Hoje menos estranho ainda. Era muito difícil  Tarzan não ser interpretado por um canastrão. Alguns escaparam. Eram meio-canastrões. Um desses? Johnny Weissmuller, aquele que tornou o seu – de Tarzan – grito famoso.

Não vou contar a história do filme, porque dela tenho apenas vaga lembrança. Também não consultarei o Dr. Google, o Freud de nossos tempos, esse que tudo sabe e explica.  Lembro apenas que Tarzan levava um criminoso para entregar a policia (sic), pegar uma recompensa e entregar a viúva do referido. Eu menino, claro, torcia por Tarzan, como se Tarzan precisasse.

 Era a primeira vez que ia a um cinema! 

 O problema era a crise. Ou seja: como conseguir dinheiro para comprar ingresso? O velho Heráclito, o compadre, meu pai, até que fazia o possível. A família tinha o que comer. Mas e a arte? Achava ele, acredito, que a arte, apesar de músico razoável, não “enchia barriga”.

Foi aí que apareceu a ideia “genial” do irmão mais próximo: vender coco! Isso mesmo! Vendo pelo nosso quintal, todo cercado de varas, um “privilégio”, que o quintal da vizinha era só coqueiros, um pomar só de coqueiros, por que não “acordar” com ela, pagar um preço, sem atravessador, pelos cocos, limpar o coqueiro – tinha isso! – e, em seguida, revendê-los por um bom preço no “Campinho da Vila”?

Uma excelente ideia!

 O Campo da Vila ou do ABC ou de Abel ou nome outro, pois cada um chamava como quisesse, ficava logo ali, pertinho do hoje Instituto Federal, mas, naquela época, tinha o sonoro nome de Escola Industrial, essa que logo em seguida, seria rebatizada com um nome mais sonoro ainda: Escola Técnica Federal da Paraíba.

  E deu certo!

Tudo sem aquela história do Gerson Direitinha nada de ouro que disse um dia “nós brasileiros temos que levar vantagem em tudo”. Pois foi assim, com o dinheiro que o irmão Paulo, honestamente, ganhou vendendo coco aos peladeiros do Campo da Vila, que pude entrar no Cine Santo Antonio e assistir ao meu primeiro filme.

Em tempo: depois contarei sobre a reação do menino Jaguaribe, maravilhado e temeroso, quando via Tarzan pulando de galho em galho mais ágil que um macaco ou pegando “carona” no dorso gigante do elefante Tantor.

tarzan magnifico

Compartilhar...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on Twitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*


três − = 2

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>