e lá se foi Dona Iolanda ensinar numa escolinha além do arco-íris!

Acho difícil um verdadeiro jaguaribense não saber quem foi Dona Iolanda, a filha de Dona Milu e mãe de Mariinha. Dona Iolanda foi a minha primeira professora e professora primeira de muitos meninos-jaguaribenses. Paulo (irmão), Ednaldo, Geraldo, Pilula (assim mesmo, sem acento), Ivan, Nata, Kida, Galego (Fernando), Clideneu… ah, foram muitos! Lembro que a  escola dela ficava na própria casa, na mesma rua que ainda hoje acompanha os meus passos, a  Senhor dos passos.

Naquele tempo uma escola na casa da professora era a coisa mais natural do mundo. Fosse esse escolar ou não.  Era pequena, mas nos parecia a maior e melhor do mundo. Pausa. Não parecia, era. Estudei lá e de lá saí sabendo juntar as letrinhas. Uma curiosidade: cada aluno levava o seu tamborete. O meu, disse-me um dia, era baixinho e forte.  Entroncado. “Ficava logo ali”, apontou com o seu dedo cheio de letras e ensinamento.

Dona Iolanda, o MB e a filha Mariinha

Dona Iolanda, o MB e a filha Mariinha

O banquinho, na verdade, nunca soube onde a minha mãe Chiquinha comprara. Acho mesmo que não comprou, mandou fazer. A minha mãe tinha dessas coisas. Era uma mãe cheia de carinho e surpresas. Todas  ótimas. O banquinho foi por muito tempo o “assento” da fé e a esperança de que dali nunca mais deixaria de encontrar um lugar para assentar os meus sonhos.

Domingo passado, esse mais vazio do que nunca, soube que Dona Iolanda trocou de roupa e foi ensinar numa escolinha lá depois do arco-íris.  Over The Rainbow. Além do arco-íris.  Noutra cidade. E assim de repente ou mais que de repente, como diria o poeta, me vi sentado naquele banquinho que a minha mãe mandara fazer – tenho quase a certeza -, com Dona Iolanda, doce como todas as boas e primeiras professoras, me ensinando o caminho das letras e o atalhos de novas palavras.

Dizer o quê? Só lhe agradecer com essas palavras que  me ensinou a juntar. Ah, e também a Dona Milu, sua mãe austera – era dona de uma doce e gotosa e necessária austeridade!  -,   onde Dona Iolanda bebeu o mel que distribuiu em palavras os seus alunos.

O coração, esse novo, é todo agradecimento.  Tenho certeza que  lá em cima, onde terá uma escolinha lhe esperando, Dona Iolanda estará feliz com a sua arte de ensinar os meninos da rua de lá.  Uns anjos, se  comparados aos seus alunos da Rua Senhor dos Passos.  Nessa escolinha, um presente do Pai,  Dona Iolanda deve estar feliz com os seus alunos que por aqui aprenderam e continuam ensinando a sua lição de amor.

Descanses em paz, minha eterna mestra, as tuas lições nunca serão esquecidas. Sempre estarás entre as minhas melhores lições. A primeira e única, essa a gente nunca esquece. Por aqui, minha professora, aprendida a lição que me ensinaste, seguirei  em frente. Sigo.

Obrigado.

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Um comentário

  1. A verdade é que a primeira Professora a gente nunca esquece. Claro que lembro-me dela!

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