Modificaram o Liceu, mas não modificaram a saudade.
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Modificaram o Liceu, mas não modificaram a saudade.

Por Anco Márcio – em 10/08/2007 às 00h02

Por força de trabalho voltei ao Liceu onde estudei longos anos de minha vida. A mesma fachada imponente, a mesma rampa, o mesmo relógio, quase os mesmos vitrais, as mesmas portas de metal, aquele ar circunspecto de colégio antigo, tudo mantido por força de tradição e História.

As salas são as mesmas, mas com carteiras mais modernas, uma porção de grades cerceia a liberdade dos estudantes, na porta um solene guarda abre e reabre mil vezes por dia um velho cadeado, sem existir mais aquela liberdade de ir e vir que se tinha antigamente. Os adolescentes, os mesmos de sempre.

Os mesmos assim olhando de longe, pois não vejo o Gordo, não vejo Vilmar, nem Valderedo, nem Valdenice nem a outra, Nira, não vejo Magdala, Salete, as meninas de minha época devem ser hoje gordas e respeitáveis matronas e não mais meninas que eram no meu tempo de menino também.

No pátio o solene busto de Getúlio Vargas que viu passar gerações e gerações, aquela sensação de saudade ao hoje poder entrar na sala dos professores que hoje sou, e antigamente, como aluno, não me era permitido, a velha escada interna com seu corrimão em metal dourado que deixa um cheiro de azinhavre na mão.

No lugar que mais me interessa, o auditório com seu palco, onde comecei a fazer teatro, pouco mudou.Mudaram as cadeiras, pintaram os vidros de preto, mas o palco, o sagrado palco, continua o mesmo com seu fundo abobabado, suas cortinas escuras e seu local para se colocar o “ponto”.

Sozinho na imensidão do auditório, quase me vejo menino de quatorze anos no palco, magro, mirrado, mas com uma força de vontade enorme. Hoje, dirijo os meninos no local onde Rubens Teixeira nos dirigia.Afinal de contas, no Liceu eu serei apenas um simples ator de minha própria vida…

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Um comentário

  1. Maravilhosamente Belo. Naco sempre fará falta Texto limpo e nostálgico! Não devia ter morrido!

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