Morte num banco de praça

Morte num banco de praça

Lembro-me bem o dia em que ele, após ouvir deste MB um conselho de amigo, pois amigos nós éramos, sorriu e foi saindo devagarinho. Antes de sair, porém, agradecendo o conselho com esse sorriso um tanto disperso, respondeu que somente sairia da empresa em que trabalhava “morto”.

Ou seja: mesmo chegando a idade limite para se aposentar, setenta e cinco anos, uma espécie de “aposentadoria compulsória”, dizia que “tão cedo” iria para casa.  Lembro-me ainda, uma bela lembrança, que ele me falava muito sobre os filhos e netos. Os filhos bem sucedidos na vida, e os netos naquela bela fase de fazer do colo de avô cavalinho.

Em tempos idos e muitos idos, viajamos muito juntos.  Ele motorista, conhecedor de todos os caminhos e atalhos entre os duzentos e vinte e três municípios parahybano, e eu, Técnico em Eletrotécnica inspecionados instalações e inspeções outras. Era tão bom motorista, quanto como pessoa e seresteiro nas noites de sexta-feira, Isso mesmo. Lembro-me que saíamos do trabalho e, com outros seresteiros colegas, íamos brincávamos de “conjunto vocal”, cantando emboladas como “eu tenho uma andorinha que me fugiu da gaiola…”  E assim seguíamos cantando e tentando um dia fazer com que à nossa gaiola essa andorinha cantante voltasse.  Era a “Andorinha preta” do Breno Ferreira.

Até que um dia, e nesse não estávamos mais trabalhando juntos, pois agora estava prestando serviço em setores outros, soube a notícia, essa vinda por meio de um colega que sabia de nossa amizade: “Tá sabendo ?! “.  A pergunta me soou assim como se, depois dessa,  iria receber uma “xeque-mate” como resposta ao meu “não”.

- O nosso colega foi encontrado morto no banco do jardim da empresa! Nunca se viu partida tão rápida! Almoçou ali por perto mesmo e, no intervalo do expediente, para “descansar o almoço”, como sempre fazia, sentou entre os colegas. O papo era o costumeiro – o  trabalho. Mas de repente  o silêncio se fez! E entre os que estavam sentados com ele,  naquele momento, nem um percebeu, assim de cara, que ele não estava mais ali!

Pois é . A “Onça Caetana” atendeu o seu pedido, mas com uma pequena diferença:  não saiu morto – foi levado!

Que o meu amigo descanse em paz!

Ele tinha uma andorinha que lhe fugiu da gaiola!

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Um comentário

  1. 1berto,

    Muito bom texto, boa lembrança e homenagem justa, você faz ao nosso ex-colega que trocou de roupa, pelo que eu entendi, trata-se do nosso Carlos Antão! pessoa, que eu convivi também aqui na empresa, trabalhamos na mesma divisão, por muitos anos.
    Viagens, fizemos poucas, mas, todas muito boas! Parabéns Humberto, continue assim, fazendo essas homenagens justas!

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