Não interrompam este sonho!”

Não interrompam este sonho!”

A Rosa, versada em artes plásticas, em especial, ao se deparar com o mural onde a trajetória do artista está escrita em detalhes, foi enfática: “Sabia! Sentia a influência do Abelardo da Hora na obra desse genial artista!”. E tinha razão. O mágico Brennand foi aluno do irmão do também artista – cada um a sua maneira – Claudionor Germano, esse o frevo pernambucano materializado em carne e osso.

Mas não foi “apenas” esse excelente artista plástico, Abelardo da Hora, escultor, desenhista, gravurista e ceramista, a única influência vista a olhos nus na obra de Brennand. Olhando-a mais atentamente, descobrimos um universo de influências que marcaram a sua – dele – obra! Vimos muitas! ! Lá estavam – e estão – Cícero dias, Ariano Suassuna, Gauguin, Miró e outros e outros!

Nessa altura da visita, metros acima de nós, tenho certeza que não estaríamos sendo justos se passasse aqui a descrever apenas essa ou aquela obra do artista pernambucano.  Não se pode ver ou analisar uma peça isolada do universo mágico de Brennand. Seus desenhos, gravuras, esculturas, todas tem a sua marca, e forma um conjunto, Todas carregam em si uma parte do sonho desse senhor que nos parece cada dia mais jovem. Um menino que brinca com o Lobo Mau em suas gravuras, dissimulado, preparando-se para comer um Chapeuzinho Vermelho somente desejo

brennand 1berto boa.

No mundo mágico de Brennand, um coelho tirado da cartola é muito pouco. Um coelho ou pássaro Rocca. Sonhos? Ah, são muito!  Todo artista é um sonhador.  Brennand sonha com culturas milenares, mitológicos seres, totens e ovos de pássaros e animais que somente ele sabe os seus nomes. Mas a interpretação que Brennand faz de sua obra é somente sua. Ele busca o que os olhos dos não poetas e sonhadores não conseguem ver.

A Rosa e eu, dessa vez, ficamos sem saber o que dizer diante de tamanha criatividade, de tão belo sonho.  Fazer ou dizer o quê? Preferimos silenciar. E silenciamos. Mas assim como sempre acontece entre nós, foi um silêncio compartilhado, dividido entre o desejo de olhar e a vontade trazer nesse mesmo olhar a eternidade de uma obra de arte. Se valeu a visitar? Faríamos de novo. Faremos.

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